As boas perspectivas de exploração da camada pré-sal pelas indústrias petrolíferas já estão alavancando os investimentos da usinas siderúrgicas do país, que também atendem a esse promissor mercado. Além da Petrobras, várias outras companhias que atuam no Brasil já começam a demandar insumo para esse nicho de extração.
Os analistas alertam para a necessidade de ampliação da capacidade instalada dessas usinas. "Até 2020 a Petrobras pretende dobrar a produção e, para atender esse aumento na demanda, as siderúrgicas deverão elevar em aproximadamente 50% sua capacidade de produção para ter condições de atender o mercado", afirmou o analista de investimentos do setor de petróleo da SLW Corretora, Erick Scott.
O setor siderúrgico deverá realizar aportes da ordem de US$ 39,8 bilhões até 2016, de acordo com informações do Instituto Aço Brasil (IABR). Essas inversões serão direcionadas para ampliação da capacidade anual do segmento de 42 milhões toneladas para 77 milhões de toneladas de aço bruto.
A descentralização das encomendas, que hoje estão concentradas na Petrobras, só vai ocorrer após a licitação dos lotes da camada pré-sal pelo governo federal. Para isso, ainda falta a definição quanto ao novo marco regulatório para exploração de petróleo no país. A intenção do Ministério de Minas e Energia é realizar os leilões já com a nova legislação. Segundo já informou o ministro da pasta, Edison Lobão, a rodada de licitações deve acontecer até julho deste ano.
Os produtos siderúrgicos voltados para a área petrolífera são em maior parte tubos de aço e placas de alta resistência para construção de navios. Em Minas Gerais estão instaladas duas empresas que operam neste segmento - A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas), em Ipatinga, no Vale do Aço, e Vallourec & Mannessmann do Brasil (VMB), naregião do Barreiro, em Belo Horizonte.
No caso da siderúrgica do Vale do Aço, já foram anunciados investimentos em Ipatinga e na outra unidade do grupo em Cubatão (SP). Serão aportados R$ 3,2 bilhões em novas unidades nas duas plantas. Com vistas à demanda do pré-sal em Cubatão a maior parcela dos recursos será injetada na expansão da capacidade com a montagem de uma segunda linha de tiras a quente.
Essa produção poderá abastecer tanto o setor automotivo, as tubulações de petróleo e gás e vigas para construção civil - principalmente para o programa federal de habitação "Minha casa, minha vida". O projeto está orçado em R$ 2,53 bilhões e com início das operações agendado para o segundo trimestre de 2011. Além da nova planta em Cubatão, a Usiminas Mecânica, braço do grupo Usiminas, também vai investir R$ 650 milhões para instalação da tecnologia de resfriamento acelerado na usina de Ipatinga. O novo equipamento irá permitir a produção de chapas grossas de alta resistência e com características ideais para suportar as condições extremas da exploração de petróleo na camada pré-sal.
A empresa também ainda vai instalar uma unidade de pesquisa no parque tecnológico da UFRJ, com o objetivo de desenvolver pesquisas voltadas para a aplicação de produtos siderúrgicos no setor de óleo e gás. A intenção é consolidar um centro de inteligência, pesquisa e inovação para o setor de siderurgia e metalurgia nessa cadeia de valor. O investimento inicial vai variar entre R$ 12 a R$ 15 milhões.
Existe ainda no Estado o investimento que está em execução no município de Jeceaba, no Campos das Vertentes. O aporte é realizado com capital francês e japonês - Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB). O orçamento prevê a aplicação de R$ 1,6 bilhão e já foi iniciada a montagem dos equipamentos da usina de tubos sem costura, um dos produtos que mais são demandados pelo segmento petrolífero.
No setor de laminação, a produção chegará a 600 mil toneladas anuais de tubos de aço sem costura. Os tubos serão desenvolvidos com a medida entre 6 e 1,6 polegadas. A companhia informou que os tudos terão alto valor agregado e mais de 90% da produção será destinada somente para exportação, atendendo à demanda do setor de óleo e gás. No entanto, especialistas de mercado apontam que a VSB mudará a estratégia de foco apenas no mercado externo, justamente em função da do mercado promissor trazido pelo pré-sal.
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 23/02/2010