Setor siderúrgico melhora em agosto, mas não é o suficiente, diz especialista

“Embora os dados de agosto do setor siderúrgico tenham sido muito melhores do que os de julho, as siderúrgicas estão longe de estar em uma posição confortável, especialmente no segmento de aços planos”, esta é a avaliação Juliano Navarro, economista do Banco Espírito Santo.

O economista se refere às vendas domésticas de aços planos, que apresentaram um aumento de 2,6% mês a mês, enquanto as importações diretas, uma das principais ameaças para os produtores locais, declinaram 8% na mesma comparação.

Este movimento levou a uma importante redução da participação de mercado dos produtos importados, representando agora 20,6% do consumo aparente (ante 22,4% no mês anterior), o que configura uma participação de mercado ainda desconfortável para as siderúrgicas locais.

Segundo Navarro, as importações de aço plano se enfraqueceram, porém ambas as importações diretas e indiretas ainda ameaçam a indústria. “Os números das montadoras, divulgados pela Anfavea, não parecem incentivar também, com as importações e os estoques crescendo”, ressalta.

No entanto, as recentes medidas tomadas pelo governo brasileiro para proteger a indústria automobilística local, como aumento dos impostos sobre veículos importados, juntamente com o rápido aumento da taxa de câmbio observado em setembro, para ao economista, devem trazer algum alívio para os produtores domésticos, que podem encontrar espaço para aumentos de preços.

“Dito isto, embora a desvalorização do Real e a melhora nos indicadores do setor ajudem, o fator mais importante, a demanda, ainda não se recuperou. Portanto, ainda vemos algumas nuvens escuras à frente”, afirma.

Aços longos

Por sua vez, do lado de aços longos, os números foram ainda mais positivos, mostrando aumento de vendas domésticas (+4,5%) e uma diminuição acentuada nas importações (-16,3%), que vinham começando a preocupar os produtores, e agora representam 7,9% do consumo aparente.

“Reiteramos nossa perspectiva positiva para o segmento de aços longos, que também poderia se beneficiar da depreciação do Real e repassar aumentos de preços, que poderiam se materializar no início de 2012, em nossa opinião”, diz o economista do Banco Espírito Santo.

E o câmbio?

Recentemente, o real tem sofrido uma desvalorização acentuada (-18% de 31/Ago a 21/Set). Para as siderúrgicas, o enfraquecimento da taxa de câmbio poderia trazer um alívio, uma vez que tem sido a principal preocupação das produtoras locais. A taxa de câmbio torna as importações menos atrativas e as siderúrgicas locais tornam-se capazes de repassar aumentos de preços.

Fonte:

Infomet / Infomoney
Publicação: 26/09/2011

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