Siderurgia corta R$ 34 bi em investimentos no país

A situação cambial, com o real sobrevalorizado, colocou em xeque os investimentos do setor siderúrgico. Do plano de aportes do segmento, orçado em R$ 40 bilhões até 2015, aproximadamente R$ 34 bilhões já estariam em reavaliação. Destes, R$ 6,4 bilhões estão programados para serem alocados em Congonhas, na região de Campos das Vertentes, em Minas Gerais.

O Instituto Aço Brasil (IABr) vai revisar as projeções de investimento do setor antes do final de janeiro e já adiantou que boa parte dos investimentos anunciados pelas empresas, mas ainda não iniciados, serão “congelados”.

O presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Melo Lopes, informou que o câmbio é a principal força que trabalha contra o parque siderúrgico nacional. Mas existem outros fatores, como o excesso de oferta de aço no mundo e as altas taxas de penetração do aço estrangeiro no país.

Entre os investimentos que podem ser adiados, ele citou os da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Congonhas, e os vários empreendimentos em siderurgia da Vale espalhados pelo país. Juntos, estes projetos somam R$ 33,8 bilhões. Em Minas Gerais, seriam investidos R$ 6,4 bilhões pela CSN em Congonhas e São Brás do Suaçuí.

Para o presidente do IABr, várias empresas vão seguir o mesmo caminho da Usiminas. A siderúrgica mineira tinha um projeto orçado em cerca de US$ 6 bilhões para uma unidade de placas em Minas, no município de Santana do Paraíso. O plano foi abortado devido às condições adversas do mercado. “A Usiminas já cancelou o investimento em Santana do Paraíso. Vamos ter outros anúncios deste tipo”, adiantou Lopes.

Por ironia, a crise do setor siderúrgico acontece num momento de enorme consumo interno de aço. Os dados oficiais ainda não foram divulgados, mas o IABr estima que 26,8 milhões de toneladas de aço foram consumidas no país, um recorde. O produto importado, porém, teve participação de 20% no consumo aparente, o que também é um desempenho sem precedentes.

Historicamente, a taxa de penetração do aço estrangeiro nunca ultrapassou os dois dígitos, mas também o câmbio nunca esteve tão depreciado como agora.

A manutenção deste cenário é o que pode acarretar a suspensão dos aportes. “O governo deve decidir o que ele quer para o Brasil. E o ponto central desta discussão é a política cambial. Enquanto isso não for decidido os investimentos anunciados deverão ser suspensos”, afirmou o presidente do IABr.

A última atualização dos planos de investimento da siderurgia feito pelo IABR, de 2010, apontou para R$ 40 bilhões em investimentos. Hoje, as usinas do país possuem uma capacidade de 45 milhões de toneladas de aço ao ano. Os recursos seriam alocados para elevar este número para 77 milhões de toneladas anuais até 2015. “Não há mais motivo para investir em ganho de capacidade”, observou Lopes.

Fonte:

Infomet / Hoje em Dia
Publicação: 11/01/2011

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