Siderurgia cresce menos em 2010

Os estragos provocados pela crise internacional vão atrasar em até quatro anos os planos do setor siderúrgico de ultrapassar a marca de 60 milhões de toneladas de capacidade instalada no País.
É o que aponta um estudo preparado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que será divulgado nas próximas semanas.

O Estado teve acesso a alguns resultados do trabalho, que mostra que o volume de 62 milhões de toneladas ao ano de capacidade instalada, previsto antes da crise para 2012, só ocorrerá em 2016.

Segundo o gerente da área de indústria de base do IBGE, Pedro Sérgio Landim, a crise obrigou muitas companhias a suspender, ao longo de 2009, planos de investimentos, o que vai se traduzir em crescimento mais lento do parque siderúrgico. "Alguns projetos saíram do pipeline (planejamento) definitivamente", afirmou.

O ritmo mais gradual de crescimento deve reduzir também o volume de desembolso do BNDES para o setor. A expectativa é de queda em torno de 20% nas liberações do banco ante 2009, que deve fechar na casa dos R$ 3,5 bilhões. Segundo ele, como 2009 foi um ano de engavetamento de projetos, novos pedidos de financiamento só devem se refletir nas liberações do banco a partir de 2011. "O grosso do investimento já foi feito", disse.

Pelas estimativas do BNDES, as siderúrgicas vão investir R$ 4 bilhões ao longo do ano que vem em projetos de expansão. O levantamento tomou como base informações fornecidas por representantes de siderúrgicas que estiveram no banco na semana passada. O objetivo do encontro, o primeiro desde o início da crise, foi justamente o de analisar as perspectivas para o setor.

Recuperação

Segundo o chefe do Departamento de Indústria de Base do BNDES, Paulo Sérgio Moreira Fonseca, as siderúrgicas estão otimistas com o cenário de recuperação. A previsão do banco é de que a produção registre em 2010 incremento de 20% ante os 27,3 milhões de toneladas produzidos este ano.

No auge da crise, seis dos 14 altos fornos do País foram parados simultaneamente e a produção de aço chegou a cair 37% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2008. O uso da capacidade instalada chegou a minguar para 47% no início do ano.

"O setor está se recuperando mais rápido do que se esperava. Talvez, no ano que vem, nós vamos conseguir chegar a um nível muito parecido com o registrado antes da crise", previu.

Apesar dessa expansão, Fonseca é cético em relação a um aumento expressivo dos preços dos produtos da cadeia siderúrgica. Para ele, as empresas tendem apenas a recompor suas margens, reajustando os preços caso se confirme a perspectiva de um aumento entre 10% a 20% nos preços do minerio de ferro e do carvão, matéria-prima na produção do aço.

Fonte:

Infomet / O Estado de São Paulo
Publicação: 15/12/2009

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