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Siderurgia espera avanço sustentável

Julio Bittencourt

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André Gerdau: investimentos entre R$ 11 bilhões e R$ 11,5 bilhões até 2014

Sinais contraditórios colhidos pela indústria siderúrgica, que deve encerrar o ano com volume histórico de vendas no mercado doméstico, ao mesmo tempo em que enfrenta a concorrência das importações, igualmente recordes, podem levar o setor a revisar as projeções de crescimento.

A alta dos custos da matéria-prima num momento de pressões baixistas sobre os preços do aço, motivadas basicamente pelo excesso de oferta no mercado mundial e pelo câmbio valorizado, igualmente tende a influenciar as previsões que deverão sair do forno no dia 25, adianta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes.

O setor, porém, mantém-se otimista em relação ao futuro. Leva em conta as boas perspectivas da demanda interna como reflexo dos investimentos esperados para o setor de petróleo e gás, em decorrência, em grande medida, dos projetos para exploração do pré-sal. Além disso, há as obras para recepcionar a Copa de 2014 e a Olimpíada em 2016.

Além disso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) "deve ser encarado como programa de prioridades que, no fundo, ainda não deslanchou".

Até o momento, os planos da indústria contemplam investimentos de US$ 39,8 bilhões até 2016.

Com 28 usinas em operação, sob controle de nove grupos empresariais, a indústria ostenta capacidade para processar 42,1 milhões de toneladas de aço bruto, frente a uma produção acumulada de 32,855 milhões de toneladas nos 12 meses terminados em setembro. Esses investimentos elevariam essa capacidade em 83%, para 77,0 milhões de toneladas.

Perto de 20% desse ganho viriam da ampliação das unidades já em operação, que deverão receber um reforço de US$ 8,4 bilhões até 2014. Isso representaria um adicional de 7,0 milhões de toneladas, numa expansão quase integralmente já contratada pela indústria. Outros 20% viriam de novas usinas, que passarão a oferecer ao mercado mais 7,0 milhões de toneladas já neste ano.

Os investimentos, neste caso, passam de US$ 8,8 bilhões, distribuídos entre a novíssima planta da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, em operação desde setembro, unidade do grupo Votorantim, em Resende (RJ), em funcionamento desde outubro do ano passado, e outra da Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), com previsão de US$ 1,6 bilhão para a instalação de uma aciaria com capacidade para 1 milhão de toneladas de aço bruto, além de uma linha de laminação para produção de 600 mil toneladas de tubos por ano, em Jeceaba (MG). O grupo VSB espera colocar o complexo em operação ainda neste ano.

O terceiro bloco de investimentos, retoma Lopes, está concentrado em novos projetos, alguns ainda em estudos. Praticamente 60% dos desembolsos esperados pelo setor serão injetados nesses projetos, num total de US$ 22,5 bilhões, o que agregaria mais 21,0 milhões de toneladas ao parque siderúrgico brasileiro, incluindo os projetos da Vale para produção de semiacabados no Pará, no Espírito Santo e no Ceará, entre outros.

A ThyssenKruppCSA, que recebeu € 5,2 bilhões, espera atingir sua capacidade plena em 2011. Vai destinar a produção de suas duas linhas instaladas no Distrito Industrial de Santa Cruz (RJ), num total de 5 milhões de toneladas de placas, a unidades de sua controladora nos EUA e na Alemanha.

A Gerdau do Brasil mantém seus planos de expansão para o período entre 2010 e 2014, calibrando seus investimentos entre R$ 11,0 bilhões e R$ 11,5 bilhões, dos quais 80% deverão ser realizados no país. Este ano, o mercado deve dar um salto de 35%, segundo espera seu diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter.

O pacote inclui a aplicação de R$ 533,0 milhões para ampliar a produção de minério de ferro nas minas de Várzea do Lopes e Miguel Burnier, que receberá a segunda unidade de tratamento do minério, das atuais 3,0 milhões de toneladas para 7,0 milhões até 2012.

A Usiminas deve realizar, neste ano, um aporte recorde na expansão e modernização de suas plantas, num investimento de R$ 3,2 bilhões. Perto de R$ 707 milhões já foram aplicados na nova coqueria da usina de Ipatinga, recentemente inaugurada, tornando a unidade autossuficiente em coque.

Fonte:

Oil&Gas / Valor Online
Publicação: Nov/2010

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