Aço brasileiro caro impede queda de custos da Petrobras

As diretorias da Petrobrás envolvidas em novos projetos e licitações se juntaram à Transpetro nas críticas ao preço do aço cobrado da siderúrgicas brasileiras. Segundo executivos da companhia, o aço internacional está mais barato que o nacional.

De acordo com diretores da estatal, apesar do desaquecimento da economia provocado pela crise mundial, os preços dos produtos não cederam dentro das expectativas. Os executivos alegam que esse é um dos fatores que impede a redução de custos da companhia.

No início do ano, quando a Petrobras lançou seu plano de investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013, a empresa cogitava não cumprir esse volume de recursos devido à perspectiva de uma forte redução de custos com a crise internacional e desaquecimento da indústria de petróleo.

O barril de petróleo que girava em torno dos US$ 147 em julho de 2008, caiu para cerca de US$ 40 no auge da crise.

"No geral, os custos caíram menos que nós esperávamos", reconheceu o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

"A redução não foi como nós esperávamos devido à questão do aço. O preço no mercado internacional caiu mais do que no mercado interno", acrescentou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Esta semana, Costa já havia ameaçado abrir licitação no mercado internacional após dificuldade para fechar a negociação do último lote de equipamentos da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, devido à oferta de preços acima das projeções da companhia.

"Não vamos fazer obras a qualquer preço. Se não fechar preço vamos ter que abrir uma licitação internacional", voltou a afirmar Costa.

Queda de braço
A Transpetro liderou a queda de braço com as siderúrgicas na licitação para a construção de navios de grande porte no país. Segundo Sérgio Machado, presidente da Transpetro, a diferença de preço em relação ao aço importado chega a 54%.

"Com essa diferença não dá para se ter uma indústria naval competitiva no Brasil", disse Machado ao lembrar que o aço representa de 30% a 40% do custo de uma embarcação. A Transpetro negocia com siderúrgicas de 10 países a compra do aço ao melhor preço.

A empresa vai licitar 49 navios petroleiros e os estaleiros contratos vem adquirindo aço no mercado externo. Do total de 680 mil toneladas que serão usadas na construção dos navios, todos feitos no Brasil, 114 mil já foram comprados, sendo apenas 40% no mercado interno.

O diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, também afirmou que nas áreas de construção e montagem "não houve reduções significativas de preço". Uma das alternativas da empresa, segundo ele, será clonar ou padronizar projetos para tentar reduzir os custos da estatal.

Segundo Duque, os gastos com empregados também não caíram durante a crise, e muitos funcionários que trabalharam em obras de maior risco, como das refinarias, exigem a manutenção da incorporação de adicionais de periculosidade.

"Não houve a queda de insumos que nós esperávamos e ainda tem essa periculosidade incorporada ao salário que pode chegar a um adicional de 30%", avaliou Duque.

Fonte:

Infomet / Reuters
Publicação: 08/10/2009

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