Aço continuará subindo no início do segundo semestre

Após os recentes anúncios de altas de preços do aço pelas siderúrgicas internacionais, novos aumentos são esperados pelo mercado para o segundo semestre. Como os preços do minério de ferro no mercado à vista (spot) chinês seguem em alta no segundo trimestre, a expectativa é de novo reajuste para os contratos da matéria-prima a serem fechados para o terceiro trimestre, o que deve resultar em novas elevações dos preços do aço. Para o quarto trimestre, porém, há apostas em estabilidade ou queda dos preços dos contratos em consequência de possível interrupção das altas do minério no mercado à vista no terceiro trimestre.

Desde o início do ano, as siderúrgicas internacionais começaram a reajustar os preços de seus produtos, beneficiadas pelo aumento da demanda e pela perspectiva de alta dos insumos minério e carvão. Recentemente, a Vale concluiu a negociação com todos seus clientes dos preços do minério fechados para os contratos com vigor no segundo trimestre. Diante das altas da matéria-prima, as siderúrgicas fizeram ajustes sobre os aumentos anunciados anteriormente. As elevações esperadas para o carvão para 1º de julho também têm influenciado os reajustes das usinas.

A sul-coreana Hyundai Steel informou, uma semana atrás, elevação dos preços das bobinas a quente (usadas na fabricação de máquinas, equipamentos e veículos) em até 23% a partir de 1º de maio, com o objetivo de repassar para os clientes a alta dos custos dos insumos, segundo informações da Dow Jones. Outra sul-coreana, a Posco, elevará os preços de seus produtos em até 25% a partir de 3 de maio, enquanto a alemã ThyssenKrupp avisa que está tentando repassar o forte aumento dos preços do minério para seus clientes, também conforme a Dow Jones.

Em abril, os preços globais do aço subiram 12% em média ante março, de acordo com a consultoria britânica MEPS International. Além da alta dos custos das matérias-primas, essa variação foi consequência de compras de volumes acima do necessário por distribuidores e traders antes que haja novos aumentos previstos para produtos siderúrgicos. O índice de preço composto global de todos os produtos da MEPS passou de US$ 690 por tonelada em março para US$ 773 por tonelada em abril. Na União Europeia, foi registrada a maior variação, com aumento de 19%, para US$ 784 por tonelada.
Na América do Norte, houve alta de 9,2% para US$ 845 por tonelada e, na Ásia, 6,5%, para US$ 689 por tonelada.

Na União Europeia, a expansão da demanda vem sendo impulsionada pela recuperação da Alemanha, que tem se refletido no aumento do consumo de aços planos para a indústria automotiva. Nos Estados Unidos, o maior crescimento também vem ocorrendo na demanda por planos para a indústria de bens duráveis. Já o crescimento da procura por aços longos, utilizados principalmente na construção civil, tem sido mais modesto no mercado norte-americano. Na China, as obras de infraestrutura são o principal fator de demanda por aço.

Para o mercado brasileiro, distribuidores e analistas esperam nova rodada de aumento de preços de aços planos para o início do segundo semestre, em decorrência da continuidade do movimento de alta internacional do produto e da elevação do minério. A Usiminas, que reajustou o preço do aço entre 11% e 15% em 11 de abril para os distribuidores, informou que haverá nova alta no terceiro trimestre. Para os clientes industriais, a Usiminas fará aumentos a partir de maio. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começou a reajustar o preço do aço este mês. Até junho, os reajustes da CSN chegarão a 7,5%. A ArcelorMittal deu início, também em abril, a elevação de 10% a 11%, em média para os aços vendidos no Brasil.

Fonte:

Infomet / Agência Estado
Publicação: 04/05/2010

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