A briga comercial do aço importado usado na construção civil com o produto nacional, concentrado nas mãos de três grandes fabricantes – os grupos ArcelorMittal, Gerdau e Votorantim – chegou para valer ao mercado de pequenas obras e de reformas feitas em casa, o chamado consumo ‘formiguinha’, em Minas Gerais. Com lotes de vergalhões (ferros para construção) turcos já disponíveis, a distribuidora Cobraço (Comercial Brasileira de Aço), que havia paralisado as atividades há sete anos forçada pela concorrência dos seus próprios fornecedores, voltou a operar e escolheu, como estratégia, a oferta da matéria-prima de origem estrangeira. A empresa, que já integrou o clube dos maiores distribuidores de aço no estado, prepara a volta por cima como porta de entrada no Brasil de uma das marcas mais importantes de vergalhão de fabricação europeia, diz o proprietário da Cobraço, Rubson Lopes Nogueira.
O contrato de representação do fabricante europeu, ainda mantido em sigilo, terá seus primeiros desdobramentos no mês que vem, segundo o dono da Cobraço. “No primeiro momento, corremos atrás de uma opção nova, com os importados, que possibilita ao país usufruir do benefício da concorrência e reduz a pressão dos aumentos de preços”, afirma Lopes. Paralisada desde 2003, a fábrica da Cobraço, instalada no Anel Rodoviário, em Belo Horizonte, recebeu investimentos não só com a distribuição de vergalhões, mas também com o serviço de corte e dobra de aço, a entrega do produto na medida da necessidade da construção.
A empresa se preparou para atender de forma prioritária pequenas e médias obras e promete condições competitivas para os depósitos de material de construção, oferecendo aço estrangeiro certificado pelo Inmetro e em conformidade com a legislação brasileira. A disputa dos importados ganhou novo fôlego diante da alta de preços das principais matérias-primas da fabricação de aço, o minério de ferro e o carvão. A precificação trimestral de minério anunciado pela Vale deixou o mercado na expectativa de nova rodada de reajustes junto às siderúrgicas, que, na opinião de analistas, pode chegar a 15% de correção no preço do aço.
Para os vergalhões, reajustes de 6% chegaram a ser anunciados na semana passada, como primeira alta do ano. Os depósitos de material de construção começaram, este ano, a ter acesso ao produto importado, a preços cerca de 10% mais baixos que o nacional. A economia pode representar, em média, uma barra de 12 metros a cada 10 compradas pelo cliente. Vergalhões da Argentina e da Turquia já podem ser encontrados em algumas revendas – e a participação desse produtos tende a se fortalecer, segundo Aroaldo Alves Santos, dono do Depósito de Material de Construção Santa Efigênia, na Zona Leste da cidade. “Até então, três indústrias dominavam esse mercado. Sem dúvida, o consumidor vai ser beneficiado com a importação”, afirma.
Rui Fidelis Junior, dono do depósito Obradec e vice-presidente da Acomac, a associação das revendas de Minas, diz que houve dúvidas sobre a qualidade e a procedência do material. A expectativa, agora, é de que os depósitos passem a ter acesso a aço no padrão das normas brasileiras. “Sem concorrência, os preços ficam muito próximos. O importado com procedência será muito bom para o mercado”, afirma.
A concorrência, de fato, deve se tornar realidade, num cenário de aumento das importações e de aquecimento da economia brasileira, avalia Pedro Galdi, analista dos setores de mineração e siderurgia da SLW Corretora. “A tendência é de que o consumidor se beneficie de preços melhores”, afirma. De janeiro a abril, entraram no Brasil 399,3 mil toneladas de aços longos (para a construção civil), volume 144,1% superior ao do mesmo período do ano passado.
Fonte:
Infomet / Estado de Minas
Publicação: 08/06/2010