Um acordo em boa hora: O interesse da Arcelor em fazer uma siderúrgica
com a Vale pode ser a saída para a crise entre o governo e a mineradora

O anúncio soou como música aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira 4, o empresário indiano Lakshmi Mittal, dono da ArcelorMittal e maior produtor de aço do mundo.

Reuniu-se com o presidente brasileiro no hotel Dorchester, em Londres, e comunicou seu interesse em se associar à Vale para erguer a Companhia Siderúrgica de Vitória (CSV), um projeto de US$ 5 bilhões.

O anúncio ocorreu oito meses depois de a Vale e a empresa Baosteel, maior siderúrgica da China, comunicarem oficialmente a desistência da parceria para a construção da CSV. Desde então, Lula tem atormentado a Vale acusando a empresa de cancelar investimento no País e de resistir em migrar para a siderurgia.

O interesse da Arcelor tira um peso de todos os envolvidos no assunto. É um alívio político para Lula, acusado de tentar intervir numa empresa privada. Para a Vale, significa a redução da pressão do governo, que quase custou o emprego de seu presidente, Roger Agnelli.

E para a Arcelor, responsável por 31% da produção de aço do Brasil no ano passado, à frente de Gerdau, Usiminas e CSN, sua participação no negócio fecharia a porta de entrada de uma grande concorrente estrangeira no Brasil, neste caso a Baosteel.

"Temos um programa de expansão no País. Queremos aumentar a nossa presença", disse Mittal à imprensa em Londres. O projeto com a Baosteel, maior siderúrgica da China, começou a naufragar quando o governo capixaba alegou que a região sofreria com problemas de fornecimento de água, caso a usina fosse instalada.

O governador Paulo Hartung chegou a oferecer municípios alternativos para a construção, mas as sócias recusaram. Tempos depois, a Vale propôs ao governo local a retomada do projeto com a condição de evitar problemas ambientais. Para isso, usaria a água do mar em processo de dessalinização para abastecer a futura usina.

Dessa vez a construção passou pelo crivo estadual e, com a possível parceria com a Arcelor, será difícil a usina não se tornar realidade nos próximos anos. "Agora, além do interesse das empresas, há a disposição do governo de incentivar investimentos no setor. Isso pode ajudar muito", comenta Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios.

Fonte:

Infomet / Isto É
Publicação: 10/11/2009

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