O conglomerado, formado pelo grupo francês Vallourec (antiga Mannesmann) e pelo japonês Sumitomo Metals, produzirá duas linhas de tubos de aço. Uma delas é tecnicamente denominada de tubos sem costura, voltados para a indústria petrolífera. Capazes de resistir a diversas condições de temperatura e pressão, serão usados na perfuração de poços de petróleo e transporte do óleo tanto em águas profundas quanto em terra firme. Os investimentos são da ordem de R$ 3 bilhões na planta mineira, que terá capacidade para produzir 1 milhão de toneladas de aço bruto/ano, além de uma laminação que poderá fabricar até 600 mil toneladas de tubos de aço sem costura/ano.
Embora a empresa ressalte que a produção atenderá o mercado externo e que foi planejada antes do anúncio dos investimentos no pré-sal, é provável que a siderúrgica atenda pedidos da Petrobras. A empresa brasileira é uma das clientes da Vallourec & Mannesmann, que fornece tubos sem costura para 40 países. A demanda nacional, por sua vez, será elevada para tubos de perfuração. De acordo com o governo, as reservas já comprovadas do petróleo do pré-sal estão entre 9 e 14 bilhões de barris.
A siderurgia de Jeceaba começou a ser construída em 2007. Quando em funcionamento, o complexo vai gerar aproximadamente 1,5 mil empregos diretos. Segundo a empresa, no pico das obras, serão cerca de 7,5 mil postos de trabalho temporários.
O transporte das vigas, que formarão pontes rolantes gigantescas na siderúrgica, levarão mais 15 dias até o destino. O primeiro comboio deixou o porto do Rio, no Bairro do Caju, há 10 dias. Quinta-feira, as carretas se descolaram 60 quilômetros e estão estacionadas no posto Rio Negro, em Três Rios (RJ), a 10 quilômetros da divisa com Minas. Segundo o gerente de operações da empresa contratada para o transporte, Cleuri Garcia Lopes, o trabalho será retomado após o feriadão de 7 de setembro, evitando o tráfego intenso de carros de passeio.
O comboio é dividido em dois conjuntos de caminhões. O primeiro, com carga de 39 metros de comprimento, se desloca em velocidade padrão. A segunda parte do equipamento, fabricado na Alemanha, segue em carretas com pranchas de 60 metros de comprimento. Além dos batedores e do motorista, a viagem só é possível com o auxílio de um operador, que controla o movimento dos últimos eixos, aproveitando todo o contorno da pista.
Os caminhões, que contam com 70 pneus, distribuídos em 12 eixos, seguem em velocidade de até 20 quilômetros por hora, provocando pequenas retenções no tráfego. A operação envolve diretamente 48 profissionais, sem contar equipes de escolta da Polícia Rodoviária Federal e da concessionária que administra o trecho Juiz de For a-Rio, além do auxílio de guinchos especiais, acionados no caso de problemas mecânicos. Até agora, o trajeto mais difícil foi na Serra de Petrópolis, que levou ao fechamento da pista de descida, que é menos sinuosa, na madrugada de 27 de agosto.
Infomet / Estado de Minas
Publicação: 08/09/2009