Siderúrgicas apresentam margens fracas por custos elevados

A forte exposição da CSN ao negócio de minério de ferro fará com que a empresa se sobressaia em relação às pares na siderurgia brasileira nos resultados do terceiro trimestre. O quadro geral da indústria não apresentou alterações expressivas, a expectativa é de que as produtoras de aço tenham mais uma vez margens pressionadas por altos custos de insumos e diante de uma economia global cambaleante.


Além disso, a valorização de cerca de 20% do dólar sobre o real no decorrer do terceiro trimestre implicará em forte aumento das despesas financeiras devido à dívida das siderúrgicas em moeda estrangeira. "Esperamos que as companhias na América Latina do segmento siderúrgico divulguem resultados em deterioração. A CSN irá novamente mostrar os melhores números do setor, ajudada por sua operação de mineração", escreveram em relatório recente os analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro, do Itaú.

Na mesma linha, os analistas Alex Sciacio e Felipe Reis, do Santander, afirmaram que a divisão de minério de ferro da CSN irá "salvar o trimestre"." Considerando que esperamos fraqueza do minério de ferro se tornando aparente nos próximos trimestres (dado o declínio do preço no mercado à vista), acreditamos que os investidores irão ficar cada vez mais céticos sobre a sustentabilidade das margens operacionais (da CSN)", afirmaram.

A média das previsões de analistas é de receita da CSN de R$ 4,1 bilhões de julho a setembro, alta de 4,1% na comparação anual. O Ebitda e a margem Ebitda devem recuar na mesma base de comparação, bem como o lucro com diminuição esperada de quase 40%.]

Mais pessimista quanto à linha final do resultado da CSN, o Credit Suisse calcula prejuízo trimestral de R$ 254 milhões para a empresa, afetada por fortes despesas financeiras no período. Se CSN deve ser a melhor ao menos no front operacional, Usiminas aparecerá na ponta oposta, com o pior desempenho do setor siderúrgico na região no trimestre. "Um fator-chave no trimestre será o impacto do câmbio na dívida denominada em moeda estrangeira, em particular na Usiminas", segundo o Bank of America Merrill Lynch, que prevê Ebitda de R$ 335 milhões e margem Ebitda de 11,3% para a empresa.

Para Gerdau , a expectativa é que os resultados nos Estados Unidos, onde o grupo tem forte presença, tenham continuado fracos. "No Brasil, o segmento de aços longos está mostrando crescimento acima do observado no segmento de aços planos e as importações nos últimos meses foram menores. Ainda assim, impacto no resultado da Gerdau deve ser modesto", segundo o Citi.

Maior produtora de aços longos das Américas, a Gerdau deve apresentar alta de 8,5% na receita trimestral sobre um ano atrás e ligeiro recuo na geração de caixa. O lucro, porém, deve cair mais de 50%, também sob influência de maiores despesas financeiras.

Fonte:

Infomet / Reuters
Publicação: 27/10/2011

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