Siderúrgicas brasileiras não querem mais viver só de aço

Mesmo com expectativa de recuperação neste ano, empresas buscam diversificar suas atividades, com distribuição e logística.
O negócio do aço literalmente derreteu em 2009. Em decorrência da crise financeira global, as vendas secaram, o preço se deprimiu e as altíssimas margens de lucro das siderúrgicas brasileiras, uma das mais elevadas do mundo, levaram um tombo.
Embora a expectativa da indústria seja de boa recuperação para 2010, é certo que as siderúrgicas levarão pelo menos dois anos para arrumar a casa e voltar a alcançar os níveis de produção e vendas atingidos no período pré-crise.
Com o avanço do aço chinês sobre o mundo - seu preço chega a ser 40% inferior ao brasileiro - e a chegada ao país de novas siderúrgicas até 2013, os executivos brasileiros do aço perceberam que, no médio e longo prazo, não poderão viver apenas da liga metálica.
Por questão de competitividade, as siderúrgicas diversificam seus negócios e avançam em áreas antes dominadas por seus distribuidores e até mesmo por grandes players do ramo da construção civil. Um exemplo disso é a briga entre a CSN e a Camargo Corrêa pela cimenteira portuguesa Cimpor.
Trata-se de um negócio interessante para a siderúrgica, uma vez que a escória do alto-forno, subproduto do processo siderúrgico, serve de insumo para as cimenteiras.
As siderúrgicas estão incrementando suas operações com a abertura - ou ampliação - de segmentações em mineração, cimento, serviços de logística e distribuição, além da oferta de produtos customizados para indústrias diversas.
"Há um movimento de integração das siderúrgicas com a mineração e a logística. O Benjamin Steinbruch (CSN) está diversificando bastante e comprando operações de logística para entregar o minério, enquanto o Eike Batista (EBX) está investindo em portos.
Todos estão construindo sua cadeia de valor", analisa Vincent Baron, sócio-diretor da Vallua Consultoria e Gestão.
Há também um claro interesse das siderúrgicas em ampliar o portfólio e entrar em áreas de produtos antes inexploradas. Atualmente, a produção e venda de aços planos é disputada no país pela CSN, Usiminas e ArcelorMittal. Já a de aços longos coloca no ringue a Gerdau, a ArcelorMittal e a Barra Mansa, do Grupo Votorantim.
"Há um claro movimento de ida dos fabricantes de planos para longos e de longos para planos. É neste querer que pode estar o pulo do gato", explica Fernando Boldrini, executivo sênior da área de recursos naturais da Accenture.
Minério vai aumentar
Toda esta discussão vem de encontro com questões como o aumento no preço do minério de ferro, que acaba de ser revisado pelo banco Merrill Lynch.
Diante da retomada do mercado mundial, a previsão de alta é de 50% e não de 15%, como calculado inicialmente. Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, lembra que o aumento do preço do minério de ferro é positivo para siderúrgicas que investiram na segmentação, como é o caso da CSN, que tem a mina de Casa de Pedra e gasta apenas com a extração.
Não é por acaso que 25% da receita da CSN vêm do minério de ferro, usado para consumo próprio e para abastecer o mercado interno.
"Para fazer uma tonelada de aço, é preciso ter 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro, meia de carvão e 200 mil toneladas de liga", afirma Galdi.
Isso explica a compra recente de 16% na mineradora australiana Riversdale Mining, que tem projetos de exploração de carvão na África, pela CSN.
"Tradicionalmente, temos a maior margem Ebitda do setor siderúrgico no mundo (45%). Daqui para frente, só continuaremos a crescer se considerarmos a soma das partes (ela é segmentada em aço, minério, cimento, energia e infraestrutura) maior que o todo (do aço)", diz Benjamin Steinbruch, presidente da CSN.
Fonte: Brasil Econômico
Publicação: 18/01/2010

Mesmo com expectativa de recuperação neste ano, empresas buscam diversificar suas atividades, com distribuição e logística.

O negócio do aço literalmente derreteu em 2009. Em decorrência da crise financeira global, as vendas secaram, o preço se deprimiu e as altíssimas margens de lucro das siderúrgicas brasileiras, uma das mais elevadas do mundo, levaram um tombo.

Embora a expectativa da indústria seja de boa recuperação para 2010, é certo que as siderúrgicas levarão pelo menos dois anos para arrumar a casa e voltar a alcançar os níveis de produção e vendas atingidos no período pré-crise.

Com o avanço do aço chinês sobre o mundo - seu preço chega a ser 40% inferior ao brasileiro - e a chegada ao país de novas siderúrgicas até 2013, os executivos brasileiros do aço perceberam que, no médio e longo prazo, não poderão viver apenas da liga metálica.

Por questão de competitividade, as siderúrgicas diversificam seus negócios e avançam em áreas antes dominadas por seus distribuidores e até mesmo por grandes players do ramo da construção civil. Um exemplo disso é a briga entre a CSN e a Camargo Corrêa pela cimenteira portuguesa Cimpor.

Trata-se de um negócio interessante para a siderúrgica, uma vez que a escória do alto-forno, subproduto do processo siderúrgico, serve de insumo para as cimenteiras.

As siderúrgicas estão incrementando suas operações com a abertura - ou ampliação - de segmentações em mineração, cimento, serviços de logística e distribuição, além da oferta de produtos customizados para indústrias diversas.
"Há um movimento de integração das siderúrgicas com a mineração e a logística. O Benjamin Steinbruch (CSN) está diversificando bastante e comprando operações de logística para entregar o minério, enquanto o Eike Batista (EBX) está investindo em portos.

Todos estão construindo sua cadeia de valor", analisa Vincent Baron, sócio-diretor da Vallua Consultoria e Gestão.
Há também um claro interesse das siderúrgicas em ampliar o portfólio e entrar em áreas de produtos antes inexploradas. Atualmente, a produção e venda de aços planos é disputada no país pela CSN, Usiminas e ArcelorMittal. Já a de aços longos coloca no ringue a Gerdau, a ArcelorMittal e a Barra Mansa, do Grupo Votorantim.

"Há um claro movimento de ida dos fabricantes de planos para longos e de longos para planos. É neste querer que pode estar o pulo do gato", explica Fernando Boldrini, executivo sênior da área de recursos naturais da Accenture.

Minério vai aumentar

Toda esta discussão vem de encontro com questões como o aumento no preço do minério de ferro, que acaba de ser revisado pelo banco Merrill Lynch.

Diante da retomada do mercado mundial, a previsão de alta é de 50% e não de 15%, como calculado inicialmente. Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, lembra que o aumento do preço do minério de ferro é positivo para siderúrgicas que investiram na segmentação, como é o caso da CSN, que tem a mina de Casa de Pedra e gasta apenas com a extração.
Não é por acaso que 25% da receita da CSN vêm do minério de ferro, usado para consumo próprio e para abastecer o mercado interno.

"Para fazer uma tonelada de aço, é preciso ter 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro, meia de carvão e 200 mil toneladas de liga", afirma Galdi.

Isso explica a compra recente de 16% na mineradora australiana Riversdale Mining, que tem projetos de exploração de carvão na África, pela CSN.

"Tradicionalmente, temos a maior margem Ebitda do setor siderúrgico no mundo (45%). Daqui para frente, só continuaremos a crescer se considerarmos a soma das partes (ela é segmentada em aço, minério, cimento, energia e infraestrutura) maior que o todo (do aço)", diz Benjamin Steinbruch, presidente da CSN.

Fonte:

Brasil Econômico
Publicação: 18/01/2010

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