De janeiro a maio deste ano, as usinas do país produziram 14,753 milhões de toneladas de aço bruto conforme divulgado ontem pelo Instituto Aço Brasil (IABr). A produção de aço bruto no país retornou aos patamares pré-crise no acumulado de janeiro a maio. Apesar da retomada dos resultados operacionais, o setor ainda é impactado pela pressão de custos, que reduziu a lucratividade dos conglomerados siderúrgicos.
O volume produzido nos primeiros cinco meses do ano é 1,6% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2008, quando alcançou 14,514 milhões de toneladas de aço bruto. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando totalizou 13,530 milhões de toneladas, houve elevação de 9%.
Em maio foi registrada o maior volume produzido em 2011, com 3,276 milhões de toneladas. O resultado é 9,6% superior ao registrado no mês imediatamente anterior, quando atingiu 2,988 milhões de toneladas. Em relação ao mesmo intervalo de 2010 (2,856 milhões de toneladas) houve alta de 14,7%.
De acordo com o analista do Banco Geração Futuro, Rafael Weber, parte deste incremento na produção no país é resultado do início das atividades da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), joint venture entre a alemã ThyssenKrupp e a Vale S/A. A companhia produz placas voltadas para a exportação.
Exatamente a produção de semiacabados - placas, tarugos, blocos e lingotes - impulsionou as operações do setor em 2011. Foram produzidas 3,155 milhões de toneladas desse insumo entre janeiro e maio, contra 2,3 milhões de toneladas no mesmo período do exercício passado. O resultado representa incremento de 37,2% na base de comparação.
A fabricação de placas passou de 1,825 milhão de toneladas entre janeiro e maio de 2010 para 2,633 milhões de toneladas nos primeiros cinco meses deste ano. Houve elevação de 44,2% no período.
A produção de blocos, tarugos e lingotes atingiu 522 mil toneladas no acumulado dos primeiros cinco meses do atual exercício. O resultado representa elevação de 10,1% na comparação com 2010, quando somou 474 mil toneladas, conforme informações do instituto.
Por outro lado a produção de laminados, produtos com maior valor agregado, está no mesmo patamar registrado em 2010. Foram produzidas 10,778 milhões de toneladas, ante 10,764 milhões de toneladas entre janeiro e maio do ano passado. O resultado representa variação positiva de 0,1%.
A laminação de aços planos, utilizados por setores industriais como montadoras e fabricantes de máquinas e equipamentos, atingiu 6,257 milhões de toneladas no acumulado de 2011, contra 6,461 milhões de toneladas no exercício passado. No período houve retração de 3,1%.
Já a produção de aços longos, utilizados principalmente pela construção civil, verificou aumento de 5,1% na mesma base de comparação. As usinas produziram 4,521 milhões de toneladas, ante 4,303 milhões de toneladas em 2010.
Weber lembrou que ainda há uma sinalização negativa para o setor, pelo menos no curto prazo. Entre os fatores está a pressão de custos exercida pela alta nos preços do minério de ferro e carvão mineral. Com este cenário, as siderúrgicas reduziram as margens de lucro de forma significativa uma vez que não conseguem repassar os preços dos insumos para suas tabelas.
A dificuldade em reajustar os preços se dá em virtude do risco de retomada das importações. Além disso, há uma sobreoferta no mercado nacional e os estoques de aço estão em patamares elevados.
As importações de aço no Brasil caíram 38,9% no acumulado de janeiro a maio na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Os desembarques somaram 1,412 milhão de toneladas, contra 2,312 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses de 2010. Em contrapartida as exportações brasileiras cresceram 71,4% na mesma base de comparação.
Os dados são do Instituto Aço Brasil (IABr). As importações de aço movimentaram US$ 1,668 bilhão entre janeiro e maio, ante US$ 2 bilhões no exercício passado. O resultado representa redução de 16,9% na base de comparação.
Os desembarques de aço no país impactaram o setor de forma significativa no ano passado impulsionadas pela desvalorização do dólar frente ao real. O cenário levou as siderúrgicas a concederem descontos nos preços e reduzirem suas margens de lucro em meio a elevação dos custos de matérias-primas, como o minério de ferro.
Por outro lado, as exportações das usinas brasileiras estão registrando crescimento em 2011. No acumulado do ano foram embarcadas 4,627 milhões de toneladas, ante 3,469 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2010.
A receita com o comércio exterior aumentou 63,6% na mesma base de comparação. No acumulado até maio as exportações brasileiras de aço movimentaram US$ 1,642 bilhão, contra US$ 1 bilhão em 2010.
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 27/06/2011