A China continua ávida por aço e produtos siderúrgicos a fim de sustentar seu acelerado processo de urbanização e, para tanto, investe pesado na fabricação desses itens. Esse movimento deve reduzir as exportações das empresas brasileiras do setor, que se beneficiaram, nos últimos anos, dos elevados índices chineses de crescimento. Ao mesmo tempo, a China busca aumentar sua participação na siderurgia brasileira.
Por causa da demanda local, os chineses ampliaram significativamente sua produção e atualmente são responsáveis por quase metade do aço bruto fabricado no mundo. Assim, além de sustentar o mercado interno, os chineses devem ampliar as vendas de aço e produtos siderúrgicos para outros países, entre eles o Brasil.
Para se ter uma ideia das dimensões desse processo, a urbanização chinesa vai impulsionar a demanda interna em US$ 4,5 trilhões até 2030. De acordo com dados divulgados, na semana passada, pelo Centro de Pesquisa de Desenvolvimento do Conselho de Estado da China, o índice de urbanização do país ultrapassou 46% em 2009 e deve chegar a 64% até 2030, com uma população urbana estimada de 930 milhões de pessoas. Esse apetite fez com que, entre 2000 e 2009, a China ampliasse sua participação na produção mundial de aço bruto de 15,1% para 46,4%. Já o Brasil viu sua fatia cair de 3,3% para 2,2%, no mesmo período.
"Num primeiro momento, as siderúrgicas brasileiras foram beneficiadas pelo rápido crescimento do consumo de aço na China. Porém, com o passar do tempo, essas oportunidades foram diminuindo", diz o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Germano Mendes de Paula.
De Paula lembra que, em 1993, a China chegou a representar 18,7% das exportações brasileiras de siderúrgicos, caindo para 10,9% em 2009. "A trajetória provável é de continuidade desse movimento, ao mesmo tempo em que as exportações chinesas para o Brasil tendem a crescer", prevê.
Os chineses têm feito pesados investimentos na área, a exemplo da parceria formada com a EBX. Cláusula do acordo prevê que a MMX, braço de mineração do grupo, forneça durante 20 anos metade de sua produção para a estatal chinesa Wuhan Iron and Steel Corporation (Wisco). A EBX e a Wisco se juntaram para a construção e operação de uma planta no Distrito Industrial do Superporto do Açu, no Rio. A EBX e a Wisco deverão investir US$ 5 bilhões na fábrica, que terá capacidade inicial projetada de 5 milhões de toneladas por ano.
Infomet / Valor
Publicação: 24/11/2010