Siderúrgicas pedem barreira contra aço importado excessivamente barato

O Instituto Aço Brasil (IABr) prevê que a indústria siderúrgica brasileira deverá se proteger para evitar uma entrada de produtos "a preços aviltados" no país. O IABr pede a manutenção das alíquotas de importação para países de fora do Mercosul na casa dos 12% e afirmou que pedirá medidas antidumping caso ocorram importações a preços excessivamente baixos.

O presidente do IABr, Flávio Azevedo, afirmou que o mercado mundial deverá ter, no ano que vem, um excedente de produção de 619 milhões de toneladas de aço, dos quais 150 milhões de toneladas só da China.

"O setor estuda medidas de antidumping e valoração aduaneira para coibir movimentos de preços que são aviltados", ressaltou Azevedo, acrescentando que há países que vendem aço abaixo do preço de custo.

Para o ano que vem, o IABr projeta uma produção nacional de 33,1 milhões de toneladas de aço bruto, um crescimento de 24,2% frente aos 26,7 milhões de toneladas que devem ser produzidas este ano. Já o consumo aparente brasileiro deve passar de 18,8 milhões de toneladas este ano para 22,9 milhões de toneladas no ano que vem.

Já a capacidade de produção brasileira deve se manter estável em 2010, em 43,5 milhões de toneladas, acima das 42 milhões de toneladas deste ano.

O vice-presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, destacou que as empresas brasileiras mantêm desligados atualmente apenas dois dos 14 altos-fornos existentes no país, enquanto no auge da crise este número chegou a nove. Questionado se o setor foi o primeiro a entrar na crise e será o último a sair dela, Lopes admitiu que o "jogo ficou muito complicado em função da crise".

"A siderurgia talvez tenha sido o setor mais impactado pela crise. Operamos com 80% da capacidade, o que já é razoável", disse.

Os executivos também recusaram a pecha de que o aumento de preços do aço gera inflação em produtos de linha branca e automóveis. Apesar de terem admitido que é praxe na indústria mundial vender para o mercado externo a preços inferiores aos praticados nos mercados internos, Azevedo e Lopes garantiram que reajustes siderúrgicos têm pouco impacto sobre o custo dos produtos acabados.

Azevedo explicou que, enquanto o peso do aço usado para construção de um fogão e de uma geladeira represente, respectivamente, 75,4% e 55,1% do peso total do produto, o custo é de apenas 17,88% e 10,03% do total. No setor automobilístico, o aço representa 55,7% do peso de um carro popular e 50,3% do peso de um automóvel de luxo, mas apenas 9,05% e 6,89% do preço, respectivamente.

"O aço não é um insumo gerador de inflação. É um componente de peso, mas não é um componente de custo", disse Azevedo.

Fonte: 

Infomet / Valor
 Publicação:03/12/2009

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