Está mais fácil para as siderúrgicas brasileiras conseguirem aplicar os reajustes de aços planos. É que o setor conseguiu convencer o governo federal a retirar da pauta da reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), realizada ontem, a discussão sobre o fim da alíquota de importação do aço. Sem o imposto de 12%, as siderúrgicas teriam de voltar atrás nos novos aumentos, na avaliação de representantes do setor de distribuição, ainda mais num momento em que a importação, mesmo taxada, ganha competitividade diante das quedas de preços no mercado internacional.
Para convencer o governo a adiar a discussão sobre o fim da alíquota de 12% sobre a importação de aço, as siderúrgicas argumentaram que o reajuste do insumo no mercado doméstico teria impacto quase nulo na produção de automóveis e eletrodomésticos da linha branca. Durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre, Usiminas, CSN e Gerdau sinalizaram que iriam elevar os preços do aço como consequência das altas esperadas para as principais matérias-primas - minério de ferro e carvão. A partir deste ano, as siderúrgicas passaram a adotar reajustes trimestrais nos preços, seguindo o novo modelo implantado pelas mineradoras.
Segundo uma fonte do setor de distribuição, ArcelorMittal deu início ao movimento, com aumentos de 10% a 12% no último dia 10, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) também já começou a elevar os preços entre 8% e 10,75% em 14 de junho, e Usiminas fará altas de 3% a 9% a partir do dia 21 para clientes da chamada grande rede - distribuidores, tubos de pequeno diâmetro e construção civil. As siderúrgicas não comentam sobre a nova rodada de reajustes.
Caso o imposto de importação fosse reduzido, o prêmio (diferença entre o preço nacional e o importado) aumentaria e o crescimento das compras de aço do exterior tenderia a ser retomado. No mercado há quem diga que o prêmio da bobina à quente (usada na fabricação de máquinas, equipamentos e veículos) já ultrapassa 15% em decorrência das quedas registradas no preço internacional do aço desde o início de maio, porcentual que justifica os riscos envolvidos na importação. Mas não há consenso em torno desse número. Outras fontes afirmam que o prêmio está na casa dos 10%, ou seja, menos que o necessário para que valha à pena para os consumidores de aço correr riscos cambiais e assumir os custos do transporte do insumo desde o porto. Como as empresas não fazem anúncios oficiais dos reajustes, é difícil saber qual é o prêmio de fato.
As importações de laminados planos de janeiro a maio - 1,572 milhão de toneladas - superam o total registrado durante todo o ano de 2009 - 1,493 milhão de toneladas. Em maio, foram importadas 312 mil toneladas, ante 355 mil toneladas em abril, 422 mil toneladas em março, 236 mil toneladas em fevereiro e 246 mil toneladas em janeiro. Devido à defasagem entre a data de pedido e a de entrega do produto, os desembarques de aço nos primeiros meses do ano resultaram de contratos fechados, principalmente, no período de outubro a dezembro.
Espera-se, no entanto, que o volume de importação seja atenuado, uma vez que já começam as apostas de que a cotação do aço no exterior está atingindo os valores mínimos. Com isso, há um incentivo para a redução da produção, podendo significar retomada das altas de preços internacionais no fim do verão europeu.
Daqui para frente, os preços do insumo doméstico vão depender de alguns fatores, como, as siderúrgicas conseguirem implantar os aumentos pretendidos, se de fato o movimento de queda de preços internacionais será interrompido e se será mantida a alíquota do Imposto de Importação.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 22/06/2010