A sobreoferta de aço, calculada pelo setor entre 500 a 600 milhões de toneladas, está longe de ser revertida. Nem o dinamismo da economia asiática, puxado pela China, será suficiente para alterar esse quadro. O grande problema está na localização desse excedente de produção: nos Estados Unidos e na Europa.
Além de já terem praticamente concluído seus processos de urbanização, a crise financeira de 2008 arrastou estas duas regiões para uma recessão. No auge da crise, a gigante europeia ArcelorMittal chegou a passar cinco meses sem comprar uma tonelada de minério de ferro da Vale para alimentar sua produção siderúrgica.
Dois anos depois, a produção de aço na Europa e nos Estados Unidos continua 15% abaixo do período pré-crise. Já a produção chinesa está 40% acima.
Mas, não é só a localização geográfica que impede esse excedente de ser absorvido pelas economias asiáticas, que continuam a consumir produtos siderúrgicos em grande escala. O fato de a produção europeia e norte-americana não ser competitiva também prejudica. A falta de competitividade fica evidente quando se nota que a China, ao invés de aproveitar o excedente, continua ampliando sua produção siderúrgica para atender o forte processo de urbanização local.
Este ano, a China caminha para produzir 700 milhões de toneladas de aço. Desse total, ela aproveita quase tudo, 650 milhões de toneladas, e exporta os 50 milhões de toneladas restantes. A sobreoferta na Ásia é pequena e tende a ser consumida rapidamente pela rapidez da urbanização local. Nos últimos 30 anos, a China aumentou a população das cidades em 500 milhões de pessoas e a expectativa é de que mais 300 milhões de pessoas saiam do campo ao longo dos próximos 20 anos.
A rapidez como a gigante asiática tem investido em projetos de infraestrutura, que consumem muito aço, para atender a demanda de urbanização no país é o grande fiel dessa balança, que tende para a superoferta no Ocidente e para um equilíbrio no Oriente. Hoje, a urbanização na China está em 40%, mas, a expectativa é alcançar 80% até 2030.
Recentemente, o diretor de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, afirmou que o Brasil "tem tudo para ser um grande produtor de aço", mas, esbarra na falta de demanda para incentivar uma expansão do seu parque siderúrgico. O consumo de aço per capita desde 1980 oscila entre 100 e 140 quilos, volume que não é suficiente para estimular siderúrgicas a tirar da gaveta planos de expansão.
A China já olhou com interesse para investimentos em siderurgia no Brasil. Mas, a sucessão de fracassos deixou o País estigmatizado. Em parceria com a Vale, a maior produtora de aço chinesa, a Baosteel tentou instalar uma usina no Brasil. O que a fez retroceder foi a burocracia para obtenção de licenças ambientais e aquisição de terreno.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 29/06/2011