Sucatas recuperam níveis nas siderúrgicas

Nairo Alméri


Em 2009, a siderurgia brasileira produziu 26,5 milhões de toneladas de aço bruto. As sucatas de ferro e de aço participaram com 7,5 milhões de toneladas como coadjuvantes do ferro-gusa, estima o Instituto Aço Brasil (IABr). Não existem, no caso brasileiro, estatísticas consideradas oficiais para a aplicação das sucatas na siderurgia, por um único motivo: por ter status de commodity, cotação internacional e ter um congresso anual internacional específico, em Nova York, a informação de seu consumo é considerada estratégica.

Para este ano e os próximos, a projeção, nos escritórios de "caçadores de sucatas" siderúrgicas de Vitória (ES) e Rio, é que haverá demanda constante em cima dessa matéria-prima para a aciaria. Por um lado, está a retomada da produção global nas siderúrgicas. O IABr, por exemplo, estima que o parque siderúrgico brasileiro, neste ano, poderá apresentar um crescimento de 25% na produção, atingindo 33,2 milhões de toneladas - capacidade nominal instalada de 42 milhões t/ano). No mundo, a World Steel Association (WSA - Associação Mundial do Aço) projeta que o consumo global será 10,7% acima do apresentado em 2009, atingindo 1,24 bilhão de toneladas - no ano passado, houve queda de 8% em relação a 2008). O consumo aparente mundial (produção nacional de aço mais as importações e menos as exportações) seria de 1,169 bilhão de toneladas.

Em outra extremidade, o que pressionará a presença das sucatas nas aciarias é a alta nos preços do minério de ferro - em março de 2009, o tipo sinterfeed Carajás, de maior teor, subiu 114,38%, para US$ 122,2 a tonelada FOB (posto no porto da Vale); foi para US$ 186; e, em agosto, a empresa anunciou uma redução de 10% no mercado spot para o último quadrimestre.

Potencial brasileiro reprimido

De volta à sucata de ferro e aço, o mistério não é apenas para o consumo individual nas grandes siderúrgicas e a cotação dos negócios. Elas trabalham com mercados cativos não revelados. No Brasil, o mercado não tem a mesma engenharia de negociação praticada na Europa e Estados Unidos, o que emperra os negócios.

Os escritórios ouvidos, em Vitória e no Rio, coincidiram em afirmar que a costa do Sudeste brasileiro seria ofertante firme de, no mínimo, 5 milhões de toneladas anuais em sucata de qualidade. "Só no litoral da região, entre embarcações pequenas e grandes navios, seria gerado o mínimo de 2 milhões de toneladas/ano em sucatas", comentou uma das fontes.

Em 2007, pelos cálculos do Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não-Ferrosa do Estado de São Paulo (Sindinesfa), a reciclagem de componentes de veículos, no Brasil, forneceu só 2% de um volume de 7,8 milhões de toneladas produzidas mensalmente. O segmento teria girado, naquele ano, R$ 3,2 bilhões. Mas, no país, os desmanches de veículos ainda geram pouca sucata para aciaria, pois os componentes vão alimentar o setor de reposição de peças.

Gerdau

Um dos maiores consumidores mundiais de sucata em aciaria é o Grupo Gerdau, líder na produção de aços longos nas Américas e com presença industrial em 14 países (operações nas Américas, Europa e Ásia), com capacidade conjunta instalada acima de 25 milhões de toneladas. Em 2008, o cálculo era que a Gerdau apresentava consumo de 18 milhões de toneladas/ano de metais reciclados.

Mais barata

Em julho, o Sindinesfa estimou que a sucata mista importada pelo país, nos cinco primeiros meses de 2009, teve cotação de R$ 400 por tonelada - mesma da pré-crise, em setembro de 2008. Mas apresentou queda de 25%, em julho, para R$ 300.

Maior oferta

O que teria motivado esse deslocamento de preços foi a enorme oferta no maior mercado de sucatas do mundo, os Estados Unidos, para onde foram direcionadas as maiores compras de grupos como Gerdau e ArcelorMittal. No mês passado, aportou no país um navio com mais de 60 mil toneladas de sucata norte-americana.

Volume

Conforme dados da International Trade Commission (US ITC), em julho, as exportações de sucatas ferrosas cadastradas pelos EUA somaram 1,65 milhão de toneladas, com crescimento de 1,87% em relação ao mesmo mês de 2009.

Para China

A China continuou liderando as compras, com 398.115 toneladas (-22,52% em relação a julho de 2009), seguida pela Turquia, com 308.160 toneladas (aumento de 2,71 vezes). Nos sete primeiros meses do ano, os despachos norte-americanos acumularam 11,31milhões de toneladas, 12,51% a menos que no período de 2009.

Cotação

As sucatas ferrosas categoria H1 (mais cara), negociadas nesta semana em Pittsburgh, Chicago e Philadelphia, segundo a agência Yieh, com preços médios de US$ 343,17/t - queda de US$ 5/t, quando comparado com a semana anterior. Para a sucata empacotada Nº 2, a cotação foi de US$ 285/t, com preço estável.

Recuperação

Em maio, a Navarro Comércio de Ferro e Metais, de São Paulo, negociou 1,2 mil toneladas de sucata, volume dentro dos níveis da pré-crise. No mesmo mês de 2009, os negócios tinham caído 84%, para 200 toneladas.

Fonte:

Infomet / Hoje em Dia
Publicação: 28/09/2010

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