A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e a Fundação Roberto Marinho lançam o Museu do Amanhã, que será instalado no Píer Mauá, zona portuária da cidade, com projeto arquitetônico de Santiago Calatrava.
O que é o Museu do Amanhã? É Um Museu de Ciências. Só que diferente. Os Museus de Ciências costumam lidar com os vestígios do passado ou com as evidências do presente (como os de história natural ou de ciências e tecnologia, já conhecidos). Hoje, o conhecimento científico permite ao homem se dar conta de que pode modificar o planeta, alterando os ecossistemas e transformando as espécies, inclusive a própria espécie humana.
Assim, o homem se vê diante de um leque de possibilidades e escolhas do que pode ou deve legar ao futuro. O Museu do Amanhã vai fazer do percurso de visitação uma aventura da passagem do conhecido para o desconhecido, permitindo o livre exercício da imaginação como uma plataforma para sondar, por meio de idéias e emoções, o caminho em direção ao futuro.
- O museu vai unir ciência, tecnologia e conhecimento, e, portanto o homem, o pensamento humano, e olhar para onde tudo isso vai nos levar. Nós queremos estimular as pessoas a pensarem de forma mais consciente sob o ponto de vista ecológico, mas também sobre o modelo de vida, social e civilizatório em que nós estamos inseridos - explica Hugo Barreto, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.
O Museu do Amanhã terá uma área de 12,5 mil metros quadrados e está inserido no projeto Porto Maravilha, na região portuária. O projeto do Museu é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, com realização da Fundação Roberto Marinho, e tem sua inauguração prevista para o segundo semestre de 2012. O início das obras deve acontecer no primeiro trimestre de 2011.
Com investimento estimado em R$ 130 milhões, o museu almeja ser um ícone da arquitetura mundial, graças ao projeto de Santiago Calatrava. O arquiteto, junto com a equipe curatorial, estudou e levou em consideração aspectos culturais e históricos da cidade, além de se inspirar em elementos da Floresta Atlântica, para conceber o projeto do museu, que valoriza a paisagem e se integra à Praça Mauá e ao MAR - Museu de Arte do Rio (outra iniciativa da Prefeitura do Rio e Fundação Roberto Marinho, já em construção). Esses museus, agindo como âncoras culturais, conduzem a uma reaproximação da cidade aos seus marcos históricos: o Morro da Conceição e ao Mosteiro de São Bento.
- A ocupação do Píer Mauá com um equipamento cultural é simbólica. Estamos resgatando a região portuária através da cultura e do conhecimento. Implantado num cenário tão bonito, misturando modernidade e tradição, o projeto do Museu do Amanhã é a cara do Rio - declara Felipe Góes, secretário municipal de Desenvolvimento e presidente do Instituto Pereira Passos.
A proposta do Museu é criar uma experiência da passagem do hoje para o amanhã em que o presente opera como um portal; sua principal potência é a de pôr em contato o passado – onde residem as causas - e o futuro – onde estão as possibilidades.
Um dos eixos ao longo dos quais se estrutura o Museu do Amanhã é o da polaridade entre as Ciências Cósmicas (que lidam com sistemas demasiado grandiosos ou diminutos para que possam ser percebidos diretamente pelo homem) e as Terrestres (todas as demais, incluindo a Biologia e as Humanidades).
Outro eixo que organiza a narrativa do Museu são as três dimensões que compõem as bases da existência humana e que, por simplicidade, denominamos de MATÉRIA, VIDA e PENSAMENTO. Trata-se, antes de tudo, de ritmos e vínculos entre ritmos: a história das formações da MATÉRIA serve de palco para o desdobramento das organizações da VIDA, que é o suporte para a emergência das inovações do PENSAMENTO.
Síntese do percurso:
O percurso narrativo do Museu explora a diversidade e será tratado com ênfase no comportamento humano e na ética. Dois grandes eixos éticos: o da sustentabilidade e da tolerância, devem nortear este percurso. No campo da sustentabilidade, a pergunta é: Como poderemos viver? No campo da tolerância a questão é: Como queremos viver? As ponderações acerca dessas perguntas devem levar a que a experiência da visitação seja motivadora para um mundo mais colaborativo no plano individual e coletivo.
O que mais terá o museu
O museu também terá um espaço de gestão de conhecimento, por meio do Observatório do Amanhã, um fórum permanente para a disseminação de informações atualizadas sobre temas tratados no Museu. Vale ressaltar a importância crucial das atividades educativas no Museu, com salas apropriadas e percursos que serão sintonizados à escolaridade do visitante.
Além disso, haverá uma loja, um auditório, salas de exposições temporárias, salas de pesquisa e ações educativas, um café, um restaurante e um belvedere para contemplação da vista.
A curadoria do Museu do Amanhã compete a Luiz Alberto Oliveira, físico e doutor em Cosmologia, e Leonel Kaz, curador do Museu do Futebol e do MAR - Museu de Arte do Rio e professor de Cultura Brasileira na PUC/Rio. Para dar apoio e suporte à curadoria, o Museu também possui um comitê curatorial coordenado por Andrea Margit e Jarbas Mantovanini, gerentes de Meio Ambiente e de Comunicação da Fundação Roberto Marinho, respectivamente. A equipe multidisciplinar de consultores que está pensando no Museu inclui: Alexandre Cherman, astrônomo; Carlos Nobre, climatologista; Jorge Lopez, pesquisador e engenheiro; José Augusto Valladares Pádua, historiador e cientista político; Luiz Fernando Dias Duarte, antropólogo; Sérgio Besserman, economista e ambientalista; e Suzana Herculano-Houzel, neurocientista.
A concepção arquitetônica do museu, de autoria do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, dialoga com a temática da sustentabilidade. Seu projeto segue a abordagem de uma construção favorável ao meio ambiente, utilizando os recursos naturais do local, como água da baía para diminuir a temperatura do interior, além de aproveitar a ventilação natural e a ventilação cruzada, sempre que possível.
O prédio terá grandes estruturas dinâmicas, que se movimentam e servem não só para oferecer sombra, mas também formam as bases para a colocação de placas fotovoltaicas, responsáveis pela captação de energia solar. Os coletores dessas placas serão abrigados nessas estruturas, que vão captar a energia solar e convertê-la em energia elétrica para o prédio. Portanto, dependendo da hora do dia, o edifício pode ter sua aparência exterior alterada.
O projeto também prevê a criação de um espelho d'água ao redor do prédio. Além de mimetizar o museu com as águas da Baía de Guanabara, eles têm uma função educativa: mostrar como funciona um sistema de filtragem da água. A água do mar será bombeada e filtrada lá, criando um microclima, mais fresco, em volta do Museu.
Internamente, o Museu do Amanhã terá 12,5 mil metros quadrados divididos em dois níveis conectados por rampas. Dessa área, cinco mil metros quadrados serão dedicados à área expositiva. No térreo haverá uma loja, um auditório, salas de exposições temporárias, salas de pesquisa e ações educativas e um restaurante, além das áreas administrativas do museu. No pavimento superior ficarão as salas das exposições permanentes, um belvedere para contemplação da vista e um café.
O escritório do arquiteto Ruy Rezende, no Rio, dará suporte ao desenvolvimento e à execução do projeto completo de arquitetura e coordenação dos projetos complementares.
É considerado um dos maiores arquitetos da atualidade e assina projetos de relevância internacional, como o Museu de Arte de Milwaukee, nos Estados Unidos; a Estação do Oriente, em Lisboa; o Complexo Olímpico de Atenas; e a Estação Ferroviária do Aeroporto de Lyon, na França. Ele também foi um dos arquitetos responsáveis pela revitalização do porto de Buenos Aires - é de sua autoria a Puente de
Além de colecionar vários prêmios como arquiteto, Calatrava foi nomeado, em 1993, pelo Fórum Econômico em Davos, na Suíça, "líder global do amanhã", e, em 2005, foi eleito pela Time Magazine uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.