Responsável pelo projeto desta residência no distrito de Pedro do Rio, em Petrópolis, o arquiteto Miguel Pinto Guimarães conta que a implantação foi sugerida pela topografia e tipologia do terreno, "uma encosta Íngreme, de inclinação constante e vista surpreendente".

O extenso programa foi distribuído em pavimentos escalonados - três lâminas compridas e estreitas -, de usos e funções bem definidos.
Localizado a cerca de 20 quilômetros do centro histórico de Petrópolis, o distrito de Pedro do Rio tem sua paisagem marcada por montanhas e vales, dos quais muitas pessoas procuram desfrutar em casas de lazer e veraneio, demanda na qual se classifica a residência projetada por Miguel Pinto Guimarães. A configurada morada, construída rente a uma encosta rochosa, aproveita a topografia do lote para expandir a vista da natureza que a cerca. Peças em madeira cumaru, alvenaria e elementos metálicos deram forma a edificação.

O acesso a casa e feito pelo pavimento intermediário. "A entrada cruza a construção e define um hall coberto pelo piso superior", detalha Guimarães. E na cota do acesso que foram dispostos os espaços de convívio: varandas, salas de estar, jantar e vídeo, cozinha e dependências de serviço. O andar superior foi reservado para os dormitórios: a suíte principal e voltada para a paisagem e os quartos de hóspedes (três) tem varandas junto a encosta posterior.
O pavimento inferior destinou-se ao lazer. Piscina, jardim, varanda coberta com churrasqueira, sauna e sala de ginastica são agrupados nesse piso, que o arquiteto identifica como piloti. "Essa solução decorre da opção de rebaixar o nível do jardim para reduzir o muro que o contem, escolha que gerou uma área coberta correspondente a projeção do pavimento intermediário", revela Guimarães.
A proposta de acomodar o programa em três lâminas estreitas e alongadas deve-se, sobretudo, a adequação da forma a topografia, segundo o autor. Guimarães explica que o partido foi consolidado pelo uso conferido aos pavimentos durante a permanência na casa: o inferior e frequentado predominantemente durante o dia; o intermediário, no transcorrer da noite; e o superior, para o pernoite. “O tipo de utilização de cada um diminuiu consideravelmente o esforço e a circulação vertical", avalia o arquiteto.
O fato de o terreno ser sombreado em boa parte do dia pelo maciço de pedra que o limita ao fundo foi determinante para a definição do projeto em dois aspectos apontados por Guimarães: o desenho da cobertura e a localização da piscina. A cobertura constituída por telhado de apenas uma água, gerando a fachada frontal de 4,20 metros em cada cômodo - triângulos laterais somam-se a modulação e otimizam o aproveitamento da iluminação natural na major parte do dia. A piscina estende-se por todo o piano do jardim e se projeta sobre o desnível do terreno. "Ela busca a maior exposição ao sol, driblando a sombra da casa e da pedra", conclui o autor.

Residência unifamiliar
Local: Petrópolis, RJ
Data do início do projeto: 2006
Data da conclusão da obra: 2009
Área do terreno: 30.993,88 m²
Área construída: 1.312,44 rn²
Arquitetura e interiores: Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados - Miguel Pinto Guimarães (autor); Renata Duhá (coordenação); Julia Mallemont (arquiteta responsável)
Construção: Tempore
Fornecedores
Roma Mobili (armários modulados);
Chauffage (churrasqueira e fomo a lenha);
Alufama (esquadrias de alumínio);
Guandu (mármores);
Adonis, Lamag (marcenaria);
Aqualar (piscina, bomba e aquecedores);
Fenal (esquadrias de madeira)
Reportagem: Adilson Melendez
Fotos: MCA Estúdio/Denilson Machado e Alain Brugier