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Ulysses Nunes fala sobre Galvanização

O Portal Metálica entrevista Ulysses B. Nunes:
Vice-Presidente de Galvanização da ABCEM e Gerente da unidade de Galvanização da Mangels.

Em entrevista ao Portal Metálica Ulysses Nunes, gerente da Divisão Galvanização da Mangels e vice-presidente da ABCEM fala sobre a trajetória da empresa no Brasil.

Pioneira no sistema de galvanização por imersão a quente no País, atualmente a ocupa uma posição de liderança na produção de rodas, cilindros e relaminação de aço na América Latina.

Para Nunes, apesar do uso do aço na construção civil brasileira ainda ser relativamente baixa, a tendência é que profissionais passem a projetar cada vez mais edificações com estruturas metálicas.

"Aos poucos, entramos na era da construção industrializada, logo, não dá para retroceder". 

Portal Metálica – Quando foi fundada a Mangels? A empresa sempre atuou no ramo da galvanização?

Ulysses Nunes – A Mangels foi fundada em 1º de outubro de 1928 por Max H. Mangels Jr. e Heinrich Kreutzberg, dois imigrantes alemães, com o objetivo de fabricar baldes galvanizados. Naquela época, os baldes eram importados e utilizados para transportar água, pois poucas regiões do país possuíam sistemas de abastecimento hídrico.

A política da Mangels, de atender às necessidades do mercado, já nasceu com este primeiro simples produto. O primeiro programa de diversificação surgiu em 1932, quando a Mangels começou a produzir ferragens para linhas de distribuição e transmissão de energia elétrica.

Em 1938, a política de pioneirismo de seus fundadores fez com que a Mangels se tornasse a primeira empresa brasileira a produzir botijões para a distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP). O início dos anos 50 foi marcado pela entrada de Max E. Mangels e Peter Mangels na empresa, representantes da segunda geração da família fundadora. Em 1958, no início da indústria automobilística brasileira, a Mangels começou a fabricar rodas e autopeças. Em 1969 a Mangels instalava a produção de tiras relaminadas de aço, criando o primeiro Centro de Serviços de Aço da América Latina. Em 1974 adquiriu a Laminação Baukus, uma empresa dedicada à laminação de tiras de aço com avançada tecnologia em ligas e aços tratados termicamente.

P.M – Além da galvanização, que outros produtos e serviços a empresa oferece?

U.N – A Mangels conta com uma divisão de relaminação de aço em São Bernardo do Campo/SP, uma divisão de cilindros de GLP e GNV e tanques para combustível e uma divisão de rodas de aço e liga leve em Três Corações/MG.

A unidade de Guarulhos, em São Paulo, concentra a parte de galvanização, fabricação de guard-rails para rodovias e também a produção do Maxipiso, um ladrilho de aço utilizado em ambientes industriais com alto-tráfego.

PM – Qual a diferença fundamental entre o sistema de galvanização a fogo e galvanização eletrolítica?

U.N – A galvanização a fogo, a qual chamamos de zincagem por imersão a quente, é a imersão de uma peça em um tanque de zinco fundido. O metal por sua vez reage com a liga ferro - carbono (o aço), formando uma camada solidária ao material. A partir dessa união forma-se uma liga protetiva ferro-zinco sobre o material base. A eletrodeposição é simplesmente a deposição de zinco sobre o material base.

Mas a diferença fundamental, além disso, é que as espessuras de camadas na zincagem por imersão a quente são muito maiores que no processo de zincagem eletrolítica. Para se ter uma idéia, na eletrolítica atinge-se 5 micra de espessura, enquanto na outra o valor chega a 100 micra. Com isso as peças que recebem zincagem por imersão a quente, dependendo do ambiente, chegam atingir 50 anos de durabilidade. Sendo que na eletrolítica a vida útil chega apenas a cerca de dois anos.

P.M – A galvanização protege o aço da oxidação provocada pelas intempéries (umidade, ar, maresia). Oferece também proteção contra ataques químicos? De que tipo?
U.N – Contra as intempéries sim, já contra ataques químicos não. Pois neste caso não há sistema de proteção confiável isoladamente. Em geral, em regiões sujeitas aos ataques mais agressivos recomendamos que as peças primeiramente passem pelo processo de galvanização e depois recebam uma pintura especial como reforço. Inclusive, existe um gráfico que mostra o tempo de vida útil para diferentes tipos de ambientes com a mesma espessura de camada.

De qualquer maneira, a galvanização é o sistema mais eficiente que existe contra corrosão em todos os ambientes. No mundo todo está comprovado que não há sistema de proteção mais eficaz que a zincagem por imersão a quente (galvanização à fogo). Em um primeiro momento pode até custar mais caro, mas com o decorrer dos anos, o custo-benefício é certamente muito maior.

P.M – No caso de construções executadas à beira da orla marítima, a galvanização oferece proteção suficiente? Durante quanto tempo?

U.N – Sim. O sistema oferece proteção suficiente ao aço. Peças em contato com maresia duram em torno de 10 a 15 anos até a primeira manutenção. Também não é preciso a aplicação de pintura em conjunto, exceto por questões estéticas. Um bom exemplo de aplicação são as torres de alta tensão. Todas são galvanizadas e apresentam longos períodos sem requerer manutenção.

P.M – Durante o processo de banho por imersão podem ocorrer deformações nas peças?

U.N – Para que isso não ocorra existe uma série de "regras" a serem cumpridas ainda na etapa de fabricação das peças. Logo no início, se o projetista tem a intenção de executar um projeto com o uso de estruturas metálicas galvanizadas, pede-se que entre em contato com o galvanizador. Este profissional dará orientações importantes de como executá-las para evitar possíveis empenamentos.

 P.M – Em que situação essas orientações são imprescindíveis?

U.N – Quando houver qualquer tipo de solda na peça ou utilização de chapas com diferentes espessuras, tendo em vista que esses materiais acabam apresentando tensionamento.

Na etapa de imersão, a temperatura chega a 450º C, de maneira que todo material tende a sofrer um alívio das tensões criadas pela solda, resultando em empenamento. Às vezes, pode ser mínimo e tolerável, facilmente acertado durante a montagem. Outras vezes não, acarretando graves problemas.

P.M – O problema pode ser decorrente da falta de qualidade na galvanização realizada?

U.N – Sim. Afinal, existem muitos profissionais despreparados tecnicamente para a execução do serviço. Como em qualquer negócio, a concorrência de preços é grande. Um serviço que a princípio custe muito mais barato é para se desconfiar.

Daí a importância de contratar somente empresas associadas à ABCEM. Até porque, só tem direito ao credenciamento aquelas empresas que possuem um padrão de qualidade comprovado.

P.M – O zinco hoje apresenta um dos maiores valores já registrados na bolsa de metais de Londres. Isso pode ser um fator limitante à difusão na aplicação?

U.N – Não, devido aos grandes benefícios obtidos com a galvanização na proteção do aço contra a corrosão. Como reflexo dessa alta cotação internacional, somos obrigados a repassar esses valores para o mercado, já que o zinco é uma commodity.

A utilização do aço na construção civil e da galvanização à fogo na proteção destas estruturas tendem a crescer nos próximos anos, como já está ocorrendo.

P.M – O comitê de galvanização da ABCEM tem funcionado na prática para o desenvolvimento da galvanização. Por quê?

U.N – Os galvanizadores nunca tiveram uma associação até sentirem a necessidade de se unir, a fim de impulsionar o desenvolvimento do mercado. Ao invés de criar sua própria associação, as empresas galvanizadoras decidiram entrar para a ABCEM, criando o Comitê de Galvanização.

As primeiras ações aconteceram na área de marketing através da divulgação com folders, brindes, palestras, anúncios em revistas especializadas do setor e outdoors, em algumas cidades de São Paulo e no Paraná.

 P.M – O comitê de galvanização tem quantos associados? Como vice-presidente da ABCEM, que ações está promovendo atualmente?

U.N – Ao todo são 17 empresas. Este ano o objetivo é investir em campanhas de marketing mais agressivas na TV e rádio. Para isso estamos tentando conseguir o apoio da Votorantin.

E mais, hoje o objetivo da ABCEM é aumentar cada vez mais a utilização do aço na construção civil. Certamente isso acaba se revertendo em aumento no setor de galvanização.

Autora:

Nádia Fischer
Jornalista - Portal Metálica

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