
O trabalho foi orientado no sentido de implantar um conceito contemporâneo de escritórios, com o máximo de conforto, baseado na escolha de materiais e suas nuances de cor, buscando transparência e visibilidade do equipamento e mobiliário compatível com a arquitetura.
Neste sentido, pisos modulados de 60 x 60 cm, tetos metálicos acústicos suspensos em módulos de 120x120 cm, caixas de alumínio com vidros coloridos de 120 cm, armários de 30, 60 e 90 centímetros, entre outros, criaram um sistema completo de equações que resolve todas situações sem ter que recorrer a soluções específicas ou pontuais.
O efeito é um espaço contínuo onde tetos e pisos são vistos como uma continuidade, dispondo de franjas transparentes nos fechamentos onde os planos horizontais se encontram, enquanto a opacidade e a translucidez da franja intermediária assegura a privacidade necessária às pessoas em seus postos de trabalho.
Mas, sem dúvida, a fachada é o que se sobressai neste projeto. Seu objetivo é proporcionar uma nova imagem para a empresa, controlar a radiação solar e matizar a visão, acrescentando valor em termos de segurança e manutenção.
A imagem da empresa, dedicada à gestão de satélites artificiais, tem sido entendida como um desafio à criatividade, concentrando esforços para alcançar uma figura delicada e evanescente, uma reminiscência de espaço livre no qual uma pele de placa de alumínio laqueado terminou por produzir três tons semelhantes cuja vibração varia de acordo como o edifício é estimulado pelo clima, insolação, nuvens, pôr do sol, etc. Visto pelo lado de fora o edifício aparece como uma misteriosa e sensível construção que interage com a paisagem, de acordo com os vários tons cromáticos.
À noite, a luz artificial exterior e a que se infiltra através da rede triangular acentua o efeito plástico que estabelece um diálogo permanente com a natureza. De dentro, a percepção através da rede cria uma reinterpretação da paisagem que, uma vez reconstruída pelo olhar, mostra-se geometricamente manipulada, o que nos permite manipular as opiniões sobre lugares onde a paisagem é menos graciosa.
O efeito, desde os postos de trabalho, é o de uma fachada que filtra a luz e produz uma leitura intimista, oferecendo dois níveis de percepção, um da superfície interna, a rede, e outro a da paisagem que se descortina. Por outro lado, a extensão da rede a uma altura considerável acima da moldura do telhado, encobre as máquinas posicionadas no teto e oferece uma silhueta mais equilibrada, que parece flutuar suspensa, acima solo, do qual se separa por uma sombra acinzentada.
Do ponto de vista do desempenho ambiental a rede tem três diferentes densidades que varrem o espectro solar com diferentes radiações. O fato da rede estar distanciada a um metro do edifício produz um efeito de sombreamento e de ventilação que assegura os ganhos e perdas térmicas , além de facilitar o trabalho de manutenção.
A segurança e a manutenção estão baseadas na disposição de uma série de passarelas que se aproveitam das estruturas em balanço necessárias para a montagem da rede. Estas passarelas permitem a manutenção da parede de cortina desde o exterior, tornando desnecessária a entrada no prédio de trabalhadores terceirizados; podem ser usadas como rotas de evacuação de emergência; asseguram o acompanhamento da rede e todos os seus elementos estruturais para evitar a oxidação ou deterioração, assim como obras de substituição, correção de aberturas que surjam, revisão dos motores das redes móveis, etc.



Cliente: Hispasat
Arquitetura: Herreros Arquitectos
Diretor: Juan Herreros
Responsável do projeto: Diego Barajas
Arquitetos colaboradores: Angela Ruiz, Ramón Bermúdez,Ricardo Robustini, Verónica Meléndez, Joanna Socha,Jorge Montalván
Interiores: Paola Simone, HA
Fachada: Jens Richter, HA
Estruturas: Eduardo Barrón
Instalacões: Intecsa
Consultor de fachada: Andrés Rojo, Entorno
Superficie: 3.300 m2
Coste: 2.285.000 €
Fotografías: José Hevia
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