Os papéis do setor de siderurgia seguem com perspectiva desfavorável, após dados divulgados na última quinta-feira (25) apontarem que os estoques registraram recorde mensal no ano em outubro, com 1,295 milhão de toneladas – equivalente a 4,1 meses de vendas da distribuição -, indicaram analistas da Ágora e da Ativa.
Na véspera foi divulgado pelo Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) que as importações, especialmente de aço plano, estariam elevando os estoques das empresas, sendo responsável por um terço dos estoques. Segundo o instituto, espera-se que a importação caia para 250 mil neste mês e, posteriormente, a 150 mil.
Já o IABr (Instituto Aço Brasil) acredita que o consumo aparente de aço registrará expansão em 44% neste ano – a 26,8 milhões de toneladas -, enquanto a importação registrará avanço de 154% no mesmo período, segundo comunicado divulgado na quinta-feira.
Para os analistas da Ativa, tal cenário é negativo para as companhias do setor, em especial para Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), as quais atuam no segmento de aços planos, mas também para a Gerdau (GGBR4), cuja competição com o aço importado prejudicou seus resultados no terceiro trimestre.
“Esta notícia está alinhada com o discurso das siderúrgicas e reforça o nosso view negativo para os resultados do quarto trimestre, uma vez que só deveremos enxergar melhoria a partir do primeiro trimestre de 2011, resultante das medidas adotadas para inibir as importações de aço”, aponta a analista em relatório.
Já os analistas da Agora indicam que, apesar de esperada, a notícia é negativa, uma vez o reequilíbrio do mercado interno somente deverá ocorrer no primeiro semestre do próximo ano.
“O aumento expressivo das importações vem impedindo as siderúrgicas brasileiras a se beneficiar de forma de forma plena do cenário positivo de demanda forte por aço no país, tendo ainda que adotar descontos de preço para competir com o aço importado”, destacaram.
Infomet / Infomoney
Publicação: 29/11/2010