A Usiminas está de olho na Copa de 2014, sediada no Brasil, e nas Olimpíadas de 2016, no Rio. O novo nicho de negócios esportivos está mobilizando a siderúrgica mineira que já participou de uma licitação em consórcio formado com a construtora Kallas para a reforma do estádio de Cuiabá (MT). A proposta comercial da dupla ficou em segundo lugar, perdendo apenas para do consórcio Santa Bárbara-Mendes Jr. A Usiminas pensa em recorrer, informou ao Valor, o diretor de vendas da empresa, Ascânio Merrighi. O presidente da empresa, Marco Antonio Castelo Branco, esteve semana passada com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para demonstrar o interesse pelas obras da Copa.
A siderúrgica planeja entrar em todas as licitações de construção e reformas dos estádios brasileiros, em 12 cidades-sede, que vão abrigar os jogos da competição futebolística. "Vamos participar em duas frentes: consórcios com parceiros para tocar a obra e como fornecedor de estruturas metálicas fabricadas na Usiminas Mecânica para montagem dos estádios", explicou Merrighi.
Até agora, a siderúrgica participou da disputa pelo Verdão, de Cuiabá, e está negociando com a Andrade Gutierrez, vitoriosa na concorrência para reforma do Vivaldão, de Manaus, para ser fornecedora das estruturas de aço do estádio. O consórcio Norberto Odebrecht (CNO) e OAS já garantiu as obras do Fonte Nova, em Salvador.
Das concorrências programadas para os 12 estádios, três já foram feitas (Cuiabá, Manaus e Salvador). A nove licitações restantes devem ocorrer até maio. O ministério dos Esportes estabeleceu no cronograma da Copa que junho é o prazo final para a contratação das obras, informou Merrighi. Na relação dos estádios, apenas dois, o Arena das Dunas, em Natal (RN) e o Arena Capibaribe, no Grande Recife, serão construções novas.
A licitação do Arena das Dunas será feita em PPP, com entrega das propostas
A Usiminas vai aproveitar a onda esportiva para avançar no negocio de construção civil. "Já adquirimos por R$ 129,6 milhões participações de 30% nas construtoras Codeme e Metform, que têm indústrias em Betim (MG) e Taubaté (SP). Elas são especializadas em construções com estruturas metálicas e serão nossas parceiras nos negócios da Copa".
A siderúrgica mineira também foi procurada e já está conversando com a empresa americana Bird Air, que construiu três estruturas de um total de quatro novos estádios erguidos para a Copa de 2010, na África do Sul. "Eles (a Bird Air) nos procuraram para contatos e querem fazer algum tipo de associação conosco".
Merrighi admiti que teme a concorrência chinesa nesse mercado da Copa. O Brasil, segundo ele, já tem um mercado de estrutura metálica bastante concorrido, onde atuam oito empresas: Usiminas, Codeme, Medabil, Metasa, Braser, ICEC, Alufer, Açotec e Fan. "Ainda não vi falar em importação de estruturas para estádios. Mas se acontecer, vamos brigar para garantir a presença de nossos produtos no mercado nacional", declarou o executivo.
A Usiminas está preparada para receber encomendas para obras voltadas à Copa de 2014 e também para a Olimpíada de 2016, que vê como uma demanda extra. A empresa detém 50% do mercado nacional de aços planos e capacidade instalada de produção de 8,5 milhões de toneladas anuais. Desde 2009, está investindo na expansão da produção de produtos acabados, como chapas grossas, laminados a quente, aços galvanizados, além de preparar a Usiminas Mecânica para atuar no evento.