Jacqueline Farid
A Usiminas está em fase de recuperação após o tombo provocado pela crise internacional e se prepara para fornecer produtos de aço adequados aos projetos do pré-sal. Mas só vai retomar o investimento de US$ 5,7 bilhões em nova usina de placas, suspenso em meio às turbulências, quando houver certeza de uma recuperação sustentável da demanda.
"Não temos pressa, precisamos ter sinais muito evidentes de que a demanda terá um crescimento sustentável para retomar essa usina", disse hoje o assessor da vice-presidência da empresa, Gilson Bentes. Para ele, a demanda pelos produtos siderúrgicos no mundo só retornará aos altos patamares do primeiro semestre do ano passado em 2012.
O projeto da usina, que será instalada em Santana do Paraíso (MG) fora anunciado pela empresa em julho de 2008. O objetivo era iniciar as obras este ano e começar a produção já no primeiro semestre de 2010. O projeto irá aumentar em 52% a capacidade da maior produtora de aços planos do País, passando a 14,5 milhões de toneladas por ano.
Embora o principal projeto da empresa permaneça suspenso - "adiado, mas não cancelado", segundo Bentes - outros projetos prosseguem em andamento, como uma nova coqueria e uma nova linha de galvanização, além de uma nova central termelétrica. Segundo o executivo, que participou hoje de reunião com analistas de mercado na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), a empresa vai investir R$ 2,3 bilhões em 2009 e R$ 3 bilhões no ano que vem em novos projetos.
Bentes disse que a reação da empresa já teve início no segundo trimestre, prossegue nesta reta final do ano e a perspectiva é de recuperação do nível de utilização da capacidade, que chegou a cair para um patamar de 40% no auge da crise e deverá terminar 2009 já na faixa de 75% a 80%. Enquanto aguarda uma plena retomada do consumo de aço no mercado externo e doméstico, a Usiminas está se preparando para atender a demanda dos projetos do pré-sal, segundo explicou Bentes.
Segundo ele, o atual investimento de R$ 1,05 bilhão da empresa na linha de chapas grossas, que significará um incremento de 1,35 milhão de toneladas ao ano desse produto, "vai possibilitar à empresa atender aos requisitos do pré-sal". Ele explicou que a Usiminas Mecânica também está se preparando para o pré-sal e para a expansão da indústria naval no País. Na avaliação de Bentes, a realização da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016 "vão trazer muitas perspectivas para os produtores de aço, já que a carência em infraestrutura "é muito grande".
Infomet / Agência Estado
Publicação: 26/11/2009