Usiminas vai até exportar minério

A Usiminas, maior fabricante brasileira de aços planos (chapas e bobinas), vai entrar no cobiçado mercado de venda de minério de ferro. A siderúrgica pretende exportar cerca de 15% do minério produzido na mina J. Mendes, em Serra Azul, Região Central do estado, recém-adquirida pela empresa num negócio cujo desembolso inicial atingiu US$ 925 milhões. A perspectiva é que o montante total pago pela siderúrgica chegue a US$ 1,9 bilhão nos próximos dois anos, caso as pesquisas realizadas no local comprovem reservas maiores e com bom teor de de ferro no minério.

A J. Mendes detém quatro minas (Somisa, Global/Camargos, J. Mendes e Pau de Vinho) com recursos totais esperados de 2,7 a 3 bilhões de toneladas e reservas esperadas de 1,1 a 1,8 bilhão de toneladas. Hoje, a produção é de 6 milhões de toneladas anuais. A Usiminas espera elevar esse número, inicialmente, para 13 milhões e, numa etapa posterior, para 29 milhões, até 2013, quando a empresa erguerá uma usina de pelotização no local. O consumo total da Usiminas, incluindo sua controlada Cosipa (em Cubatão/SP), varia atualmente de 20 a 22 milhões de toneladas de minério por ano. Ou seja, a empresa atingirá a auto-suficiência em minério, principal insumo usado da fabricação do aço, em seis anos.

"Cerca de 84% do minério da J. Mendes será para abastecer a Cosipa. E o restante será exportado e vendido no mercado spot (livre)", diz o presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares. A usina da Usiminas, em Ipatinga (Vale do Aço), continuará sendo abastecida pela Vale, maior mineradora brasileira e uma das acionistas da própria siderúrgica. Trata-se, neste caso, numa questão de logística. "Na J. Mendes, vamos construir um ramal ferroviário de 29 quilômetros até a linha da MRS, na qual temos participação acionária. Mas, para que esse minério chegasse a Ipatinga, teríamos que usar a linha da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), da Vale, que não teria como transportar nossa produção", afirma o executivo.

Os trilhos da MRS chegam até Santos, praticamente ao lado de Cubatão, onde está a Cosipa, que mantém um terminal portuário próprio. Os investimentos totais da Usimnas nas minas deverão chegar a US$ 750 milhões, incluindo as obras do acesso ferroviário e a nova pelotizadora.

A entrada da Usiminas no setor de minério é estratégica sob dois aspectos. O primeiro é que garante suprimento próprio, ou hedge natural, à empresa - uma medida sempre cobradas por analistas de mercado. O segundo é que coloca a empresa como player no mercado de minério, fortemente aquecido pela demanda de países como China e Índia". "Acreditamos que ainda teremos um mercado externo fortemente aquecido durante três ou quatro anos", assegura o presidente da siderúrgica.

A entrada da Usiminas no setor de minério garante suprimento próprio à empresa.


Fonte:

Estado de Minas / Infomet
Publicação: 14/06/2010

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