Apesar disso, não apenas as vendas domésticas e a produção nacional, como também as exportações brasileiras de produtos siderúrgicos fecharam 2010 com expressiva recuperação frente a 2009, registrando alta de 29,4%, 23,5% e 60,9%, respectivamente.
O cenário internacional e o fator cambial, contudo, contribuíram para que os números ficassem ainda abaixo dos patamares atingidos em 2008. Para 2011, esperamos uma retração nos volumes de produtos siderúrgicos importados (-24%), apesar de sua participação no abastecimento da demanda interna continuar bastante relevante. No ano passado, 22% do consumo interno de aço foi suprido por produtos importados. Este percentual deve cair para 16% em 2011, segundo nossas projeções, mantendo-se, contudo, bastante acima da média de 7% do período 2001 a 2009 cenário que se alinha com a perspectiva para as vendas internas das siderúrgicas nacionais, para as quais esperamos expansão de 13% em 2011.
As vendas internas dos produtos nacionais vinham em ritmo bastante acelerado desde o segundo trimestre de 2009, crescendo, em média, 11,7% ao trimestre relativamente ao período anterior. A valorização do real e a desaceleração observada na economia brasileira no segundo semestre de 2010, no entanto, refletiram-se fortemente sobre as vendas, que passaram a registrar decréscimo na margem. Ao mesmo tempo, as importações chegaram a registrar aumento de 107% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao último de 2009.
No terceiro e quarto trimestres de 2010, as vendas totais de siderúrgicos recuaram 11% e 1,3%, respectivamente, em relação aos trimestres imediatamente anteriores (dados dessazonalizados).
Para 2011, esperamos uma alta de 13% nas vendas dos fabricantes nacionais, sendo que para os aços planos esperamos um aumento de 11% e no caso dos aços longos, uma alta de 16%, frente a 2010. Este cenário contempla um aumento nos preços dos siderúrgicos nacionais menor que o esperado para os produtos internacionais, o que serviria de estímulo para que os consumidores locais realizassem compras no mercado doméstico, justificando nossa expectativa de forte recuo de 24% no volume de importados.
Com 4 milhões de toneladas, os aços planos importados responderam por 68,5% do total de produtos siderúrgicos comprados do exterior em 2010 (5,9 milhões de toneladas). Historicamente, esta categoria é o principal segmento importador de siderúrgicos, respondendo por cerca de 50% das importações. Além disso, no ano passado, 26% da demanda interna dos planos foi abastecida por importados, o dobro do percentual registrado em 2009.
Mesmo com o crescimento expressivo dos produtos importados, a produção nacional de aços planos cresceu 31,6% em 2010, o ano de maior produção desde 2007, recuperando-se do forte recuo de 2009 (-17,1%). Essa recuperação encontra respaldo: (i) no bom desempenho da produção de veículos pesados e leves, que cresceram 44,9% e 14,3%, respectivamente, no ano passado em relação a 2009; (ii) na produção industrial, cuja alta foi de 10,5%; e (iii) na fabricação de autopeças, que cresceu 25,3%, na mesma base de comparação. A comercialização doméstica de produtos planos cresceu 28,4% no ano passado, o que ocorreu, principalmente, nos três primeiros trimestres de 2010.
Nossa expectativa para 2011 é de incremento de 11% no segmento, fruto das boas perspectivas para o setor automotivo de veículos leves e de autopeças, cujas projeções contemplam expansões de 5% e 6,6%, nessa ordem.
As importações de aços longos também tiveram acréscimo expressivo frente a 2009, de 165,1%. O segmento, no entanto, possui menor peso no total importado e respondeu por 22,8% do total, somando 1,3 milhão de toneladas. No ano passado, 13,2% da demanda interna foi abastecida por produtos importados, um aumento de 97% frente aos 6,7% registrados em 2009. A despeito deste crescimento, a produção nacional de longos tem apresentado desempenho inferior à de planos nos últimos anos. Em 2010, houve crescimento de 22,6%, o que recupera parte das perdas observadas durante a crise internacional, mas se encontra ainda abaixo da produção de 2008, no pré-crise.
O bom desempenho da construção civil, impulsionada pelo aumento da renda das classes A, B e C e os investimentos necessários para os grandes eventos esportivos que o Brasil irá sediar, deve continuar impulsionando a demanda interna por aços longos. A produção física de insumos típicos da construção civil, medida pelo ICC do IBGE, registrou crescimento de 12% no ano passado e deve crescer 5,3% em 2011.
Assim, as vendas domésticas de produtos longos apresentaram crescimento de 24,9% em 2010, principalmente por conta do desempenho observado no primeiro semestre do ano. Nossa expectativa é de que, em 2011, as vendas deste segmento cresçam 16%, fruto das boas perspectivas para o setor de construção civil.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 30/03/2011