Metálica

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Projeto para Estruturas em Perfis Tubulares
Passarela de acesso dos Shoppings Morumbi e Market Place em São Paulo - Página 2

Visão Sistêmica do Processo de Projeto  

O arquiteto é a peça-chave e o iniciador de um processo de mudança nas técnicas e na evolução dos meios de projetar e construir. Um bom projeto exige visão global dos sistemas construtivos, o que requer a integração de quatro conceitos básicos: a visão arquitetônica, o método construtivo, a solução estrutural e a industrialização.

 Solução estrutural e industrialização vistas hoje como pontos cruciais são interdependentes, acarretando modificações nas tendências arquitetônicas e nos métodos de produção.

 O modelo integrado de projeto, representado no diagrama a seguir (figura 1), busca ressaltar a importância do projeto no processo construtivo global, o papel determinante da figura do arquiteto, a integração entre os diversos profissionais e a interdependência entre a concepção do projeto e os métodos e possibilidades de produção.

 Figura 1: Modelo Integrado para projeto em estruturas tubulares
 

Visão arquitetônica otimizada e um bom projeto arquitetônico levam a uma visão clara do que desejamos fazer e dos resultados que visamos obter. Uma nova maneira de projetar e construir gera novos conceitos arquitetônicos.

 Um projeto industrializado deve ser completamente concebido antes de se passar à fase de fabricação. Todos os detalhes e definições devem ser previamente estudados, permitindo-se apenas ligeiras mudanças, caso se tornem realmente imperiosas. Esses fatores interferem de forma crucial no produto final. 

Com a mudança dos conceitos arquitetônicos, temos de deixar para trás a maneira “antiga” de conceber um projeto. As obras projetadas não são mais produtos artesanais onde cada detalhe é único. O projeto arquitetônico não pode mais ser desenvolvido de forma isolada, para então se iniciar o desenvolvimento dos projetos complementares. 

Em uma nova maneira de conceber, juntamente com o projeto arquitetônico, deve-se pensar na solução estrutural, nos métodos construtivos e no processo de industrialização dos elementos. Os métodos de construção necessitam ser modificados ou adaptados, devendo-se buscar a otimização da produção. Estes fatores, em conjunto, vão gerar melhores resultados em termos de preço, tempo e qualidade.

Quando nos voltamos para a questão estrutural, entram em cena três pontos importantes: os conceitos arquitetônico-estruturais devem ser minuciosamente discutidos, o arquiteto não deve mais trabalhar sozinho, como acontece freqüentemente nos processos de projeto atuais e é fundamental que haja uma forte interação entre os profissionais envolvidos, tanto no projeto quanto na fabricação, de modo a proporcionar o maior nível de afinidade entre todas as fases de concepção e construção de uma edificação. O arquiteto deve trabalhar em total integração com o engenheiro calculista, com o projetista e com os profissionais da linha de produção. 

Inicialmente, pode parecer um processo complicado, uma vez que não estamos acostumados com o trabalho em equipe. Essa é, porém, uma exigência da complexidade tecnológica atual: trata-se de resolver desafios que se manifestam nas interfaces de áreas de conhecimento diferentes, o que exige trabalho conjunto e interação dos profissionais. 

Ampliar a utilização de estruturas industrializadas e, por conseqüência, dos perfis tubulares estruturais na construção civil, de maneira sistemática, depende hoje de projetos arquitetônicos especializados e, portanto, de melhor qualificação dos profissionais atuantes no mercado. Por essa razão, esse é um processo que se retro-alimenta: a qualificação dos profissionais gera melhoria na qualidade dos projetos, e a qualidade dos projetos acarreta avanços na utilização dos perfis tubulares no mercado.

Padronização, Modulação e Industrialização: Chaves para um Processo Integrado e Efetivo

Na execução de obras em estruturas metálicas, um dos pontos essenciais é a padronização das peças a serem fabricadas. Quanto menor o número de componentes, mais fácil será produzir determinada montagem. A modulação também é um dos aspectos cruciais, uma vez que quanto mais vezes se repetir o número de vãos ou de peças em uma determinada medida, melhor será o desempenho e rapidez de uma obra. A repetição de peças será o ponto de partida para tornar o processo industrial.

Bons exemplos de alto grau de industrialização são encontrados na indústria automobilística e naval. Hoje, a empresa Hyundai constrói navios em tempo recorde, utilizando peças iguais na montagem de diferentes modelos. Na indústria automobilística, observa-se o mesmo processo: alto grau de repetição, mesmo com componentes diferentes, que são colocados em uma linha de montagem, onde quase tudo é automatizado ou robotizado, o que torna o processo rápido, preciso e, por conseqüência, altamente eficiente. O produto, de ótima qualidade, com bom desempenho, oferece resultados positivos para o fabricante e para o consumidor final. 

A padronização pode sugerir que serão feitas apenas peças iguais, que tudo será monótono e que formas arrojadas e diferentes não podem ser usadas. Isso é apenas um mito. A criatividade não tem limites, uma boa inspiração pode ser buscada nas formas da natureza onde existe uma repetição de estruturas ou de suas partes (figura 2). O arquiteto deve sempre estar atento à busca da forma estética, agradável à contemplação, mesmo nas estruturas padronizadas.

Figura 2: Formas, Estruturas da Natureza

Na arquitetura, com criatividade, técnica e processos de produção desenvolvidos, podemos ter soluções muito semelhantes às encontradas na natureza.

 Um bom exemplo disso está nas obras do espanhol Santiago Calatrava, arquiteto-engenheiro e artista. Ele cria as formas e padroniza-as, fazendo estruturas de extrema beleza arquitetônica e arrojo estrutural.

 A estrutura se desenvolve através de pilares que se abrem como “galhos de uma árvore” e se curvam formando um arco em seu ápice. O projeto utiliza-se da modulação, da repetição e de muita criatividade, como pode ser visto na figura 3.

Figura 3: Rua Subterrânea de Toronto – Canadá

Outra obra do mesmo arquiteto pode ser vista na figura 4, onde a repetição e a modulação estão também presentes.

 
    

Figura 4: Cidade das Artes e das Ciências: Museu das Ciências “Príncipe Felipe” Valência - Espanha

Quando se trabalha com a padronização é preciso analisar e administrar, de forma criteriosa, a questão do dimensionamento. Consideram-se os maiores esforços nas estruturas, as peças menos solicitadas estarão sendo superdimensionadas, o que elevará o peso da estrutura. O arquiteto, o projetista e o engenheiro devem estar sempre atentos a este ponto: uma estrutura pesada demais pode ser um ponto fraco de um projeto e até inviabilizá-lo. 

Alcançar resultados tão bons quanto, por exemplo, os das indústrias automobilística e naval, exige que a construção civil que utiliza o aço como matéria-prima e em especial os perfis tubulares, tenha em mente as idéias de padronização, modulação e alto grau de industrialização. Para o desenvolvimento desse novo modo de construir, os fabricantes de tubos devem se colocar como um elo no processo, participando da concepção global da obra, informando os profissionais envolvidos no processo sobre a tecnologia de aplicação, o que exige conhecimento de seu produto e dos meios de produção.

Autora:

Fernanda de Sousa Gerken é Arquiteta Urbanista

Fonte:

Revista Tubo & Companhia - Ano I - Número 4

Fotos:

Passarelas Shopping's Morumbi e Market Place: Osíris Bernardino
Figura 1: Arquivo pessoal. GERKEN, 2002.
Figura 2: Arquivo pessoal. GERKEN, 2004.
Figura 3: Arquivo pessoal. GERKEN, 2001.
Figura 4: Cedida para arquivo pessoal. ARAÚJO, 2000.



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